Disse ao meu marido que ia pro curso de inglês, com a mesma tranquilidade com que se diz que vai ao mercado. Mas por dentro… meu corpo já estava em outro lugar.
Na verdade, ele já estava com ele.
Peguei o carro e fui.
São Paulo viva, caótica, congestionada. Faróis vermelhos, buzinas, motos passando rente ao retrovisor, e aquele trânsito que parece que nunca anda. Mas meu sangue corria.
A cada esquina, o pensamento nele ficava mais nítido.
A cada parada no trânsito, o calor entre minhas pernas crescia.
Eu sabia exatamente o que ia buscar.
E ele sabia o que eu precisava.
Cheguei. Ele abriu a porta com aquele olhar que me desmonta — calmo por fora, sujo por dentro.
Tomamos uma cerveja. Acendemos um cigarro. Fingimos por alguns minutos que éramos só dois adultos qualquer. Mas era mentira.
O ar entre nós já estava saturado de vontade.
Fui pro quarto. Tirei meu vestido devagar, sem pressa. Estava nua.
Deitei de bruços na cama, deixando minhas costas à mostra, e disse com uma voz baixa, carregada de provocação:
— Olha a tatuagem que eu fiz pra você…
Senti quando ele deitou sobre mim. O corpo dele quente, pesado, encaixando no meu como se pertencesse ali.
Sem avisar, ele me penetrou. Profundo.
Fiquei muda.
E então ele sussurrou no meu ouvido, com aquele tom que me tira da razão:
— O que você quer? Amorzinho…?
Eu não respondi. Meu silêncio era um gemido contido. Meu corpo era a resposta.
Ele me fodia com ritmo — ora lento, ora rápido. Como quem brinca com o próprio poder.
De repente, ele parou.
Me virou com firmeza.
Me olhou com aquela intensidade que me desmonta — e eu sabia: ele ia me levar ainda mais longe.
Vieram as algemas.
Uma perna em cada canto da cama.
Mãos presas.
Uma venda sobre meus olhos.
Agora eu era só sensação.
A vela quente caiu sobre meu corpo. O susto do calor me arrancou um gemido agudo, mas havia prazer escondido na dor.
O chicote veio depois, marcando minha pele, marcando minha entrega.
E ele dizia, com aquela voz baixa, imoral e deliciosa:
— Você é minha puta… minha cadela… hoje eu vou te usar.
E eu, ofegante, submissa, respondia:
— Você sabe que eu sou sua escrava…
Senti quando ele me invadiu com um pênis de silicone.
Ao mesmo tempo, o vibrador tocava meu clitóris com precisão.
Eu delirava.
Não via nada.
Só sentia.
Tudo era mais intenso, mais sujo, mais forte.
Ele me chupou com fome, e eu pedi, quase implorando:
— Para… eu vou gozar…
Mas ele não parou.
Me penetrou de novo com força.
Cada estocada era um universo.
Cada movimento uma confissão.
E eu gozei.
Com um grito contido, suada, arrepiada, viva.
Ele gozou comigo, num êxtase quase silencioso.
Como se o mundo tivesse sumido, e só restássemos nós dois — despidos de tudo.
Depois, o silêncio.
Ele tirou a venda com delicadeza.
Me beijou com uma calma diferente.
Me olhou nos olhos por tempo demais.
Tempo suficiente pra eu saber que, mesmo quando ele for embora… eu vou continuar dentro dele.
Me soltou. Fomos pra sala.
Mais uma cerveja. Mais um cigarro.
O tempo parecia suspenso, até que o relógio disse: quase dez.
Peguei meu carro. Entrei no trânsito de novo.
Mas meu corpo… ainda ardia dele.
E ele?
Foi encontrar a mulher dele.
Mas eu sei.
Nenhuma cama o toca como a minha.
Nenhuma voz sussurra o que ele realmente deseja ouvir.
Porque o que ele é — ele só é comigo.