Evidentemente, após gozar, eu me sentia um merda, refletia se aquilo tinha ido longe demais e se deveria parar. Minha esposa depois me acalmava, dizia que era normal eu sentir insegurança e que ninguém iria tomar o meu lugar.
– A exceção foi na nossa cama, né?
– Bruno, deixa de bobeira. Se hoje me sinto realizada, é graças a você! – sorriu e continuou – E outra: ninguém vai saber...
– Com exceção da Débora e da sua mãe, claro!
– A Débora é minha melhor amiga. E minha mãe é minha confidente.
– E o que elas falam?
– A Débora diz que sou sortuda; minha mãe aprova e prometeu não contar pro meu pai.
– Aprova?!
– Sim, em eu ter um marido como companheiro e um macho de verdade pra me satisfazer, já que as 3 partes sabem e aceitam.
– Pô, mas precisa aquele cara andar pelado pela casa?
– Tá constrangido por causa do piruzão dele? Só por causa disso? – gargalhou.
Pois é, o macho da minha mulher era maior do que eu até nisso, e isso me causava vergonha, desconforto e resignação. Meu pau não é pequeno, mas o dele é covardia, 21 cm e grosso. Não foram poucas as vezes que ouvi as estocadas daquele jumento na minha esposa e a putaria entre eles.
– Isso, Marcelo, soca forte, assim, gostoso!
– Piranha!
– Vai, não para!
– Fala, sua vagabunda! Quem é o seu macho?
– Você... – respondia entre os gemidos.
– Eu não ouvi, cadela. Tá com medo do corno ouvir? Fala alto, porra!
– Ai... Tá batendo no meu útero, filho da puta!
– Ou você fala agora ou vou te engravidar e esse chifrudo vai assumir o filho! Fala!
– Você...
– Não entendi, fala mais alto!
– É vocêêê, Marcelooo, ahhh!!! Você é meu macho!!!
O que mais me dava medo nisso tudo era algum comentário da vizinhança ou o porteiro notar que aquele bombado subia pro nosso apartamento e só descia no dia seguinte, o que vinha se tornando frequente. Pra piorar, à medida que ele socava na buceta da minha mulher, mais arrancava verdades dela, que às vezes ecoavam e me deixavam humilhado e preocupado com a minha reputação no condomínio.
Já na academia, por incrível que pareça, eu me sentia um pouco mais tranquilo. Minha esposa não queria ficar com fama de puta diante das outras pessoas e exigiu isso do Marcelo logo no início. Também devo admitir que, apesar da idade, ele sempre se mostrou maduro e confiável, não era um emocionado que queria contar vantagem pros amigos. Ali, ele agia como um profissional, apesar das olhadas indiscretas pro bumbum da Aline e o sorriso sacana, muitas vezes correspondido por ela.
Já a Aline é um capítulo à parte. Nos altos dos seus 36 anos, ela agora se sentia plena, gostosa, confiante, dona de si e da nossa relação. Tava ficando com um corpaço, é verdade, e cada vez mais motivada a ir pra academia (por que será, né?). A descarada até passou a ir com shorts mais curtos e justos, quase mostrando a polpa da bunda e deixando evidente que só usava fio dental, provavelmente pra provocar aquele safado. Ou talvez fizesse isso como uma afirmação – ainda que involuntária – pra mostrar a todo mundo que não tava nem aí com comentários maldosos, que seria livre e ponto final, no jeito de ser e de se vestir daqui pra frente. Afinal, se tinha um marido que a liberava pra transar com que ela quisesse ou desse prazer, não seria a opinião alheia que iria reprimi-la. Bem, pelo menos foi essa a interpretação que eu passei a ter sobre isso.
Eu sei que vai ter gente que vai me julgar, falar que tô sendo passado pra trás ou que isso tudo é loucura e provavelmente insustentável. Eu respondo perguntando a vocês: acham que eu nunca fiquei inseguro ou tive medo? Ou nunca pensei que fiz a maior burrada? O que posso dizer é que, sempre que isso ficou tão latente em mim, a Aline tratou de enfatizar o papel de cada um:
– Amor, o que eu te falei desde o início, hein?
– Que não iria me largar.
– E eu te larguei?
– Não.
– Então, para com essa insegurança. O Marcelo tem vinte e pouco anos, eu tenho 36; você acha que ele tem maturidade suficiente pra me acompanhar?
– Não.
– O que rola entre eu e ele é só carnal, ele me faz gozar muito, tem um pau maravilhoso e é um puta de um gostoso. Só isso. Eu tô viciada em trepar com ele, não envolvida emocionalmente ou apaixonada, não sou iludida. Além do mais...
– Tá, mas e eu? – interrompi.
– Você é o melhor marido do mundo! – abriu o sorriso.
– Mesmo?
– Lógico! Você me completa, me mima, me protege... E o teu fetiche passou a ser o meu também.
– É verdade?
– Claro, mas só você sendo o traído na relação. – riu, sem nenhum pudor.
– Mas eu não falei que queria foder outras por aí, nunca disse isso.
– Eu sei, Bruno. Você é corno. Nasceu pra ser corno mesmo. Não tem relacionamento aberto ou essa baixaria de troca de casal. O que tem entre a gente é isso: serei sempre sua esposa; lá fora ou aos olhos da sociedade serei sempre a mulher correta, e ai de você me trair. Entre quatro paredes ou na nossa intimidade, aí já é outra história.
– Não vou trair você, e nunca fiz isso.
– Lógico que não vai, não é louco. Quem ficava excitado querendo levar chifre era você, não eu. Tô mentindo?
– Não.
– Você é corno manso, Bruno. É só deixar esse ego ferido de lado, esse medo bobo ou esse teu machismo, sei lá. Assuma pra você mesmo, de uma vez por todas. Você não fica de piu piu duro quando tô me arrumando pra ver meu macho?
– Às vezes...
– Às vezes? Tá de sacanagem, é? Acha que não noto essa pistolinha apontada pra cima?
– Não é pistolinha.
– Perto do Marcelo, é. – debochou.
– Mas precisa o cara vir pro nosso apartamento às sextas?
– Ele só veio algumas. Muito mais seguro do que eu ter que voltar de madrugada de algum motel.
– Isso é verdade...
– Então, corno. Para de bobeira. A hora que eu enjoar dele e quiser ficar com outro, você vai entender que não tem sentimento ali. Só gosto de sentar, e sentar com gosto.
– Você não tem vergonha de falar isso?
– Você é o responsável! Não teve coragem de convidar o Marcelo pra jantar com a gente e depois me jantar?
– Aham.
– Corno manso... Merece muito chifre. – riu, exibindo sarcasmo.
Não me julguem, mas tudo o que ela falou era verdade. A primeira vez que minha mulher me colocou um par de chifres foi nesse maldito jantar, ou melhor, depois dele. Aline insistiu tanto nessa fantasia que, não satisfeita com meu “sim”, ainda exigiu que eu fizesse o convite ao Marcelo.
Até aquele momento, havia indiretas entre os dois, alguns flertes, mas ninguém ultrapassava o limite. Pra ser sincero, não gosto muito de lembrar dessa cena, tamanha a minha vergonha. Mais pra frente eu crio coragem e detalho esse momento pra lá de constrangedor. Uma coisa eu assumo: aquela cena foi a gota d’água e um divisor de águas ao mesmo tempo, na minha vida e na nossa relação.
Hoje reflito, acho até a Aline tava me testando, pra ver se eu queria mesmo ou se teria toda essa coragem. Daquele dia em diante, com o convite formalizado pelo potencial chifrudo e aceito pelo virtual comedor, já se passaram 5 meses. E, enquanto fico aqui chupando o dedo, aquele cara não cansa de chupar os lábios da vagina dela. Enfim, preciso de um tempo para respirar, processar tudo e escrever. Fiquem tranquilos, contarei como foi esse Dia D.
Continua...
continua nos contando sua saga. votado
tesão puro!