Guida, como todos a chamavam desde criança, estava quase nos 50 anos. Nascida no interior do Mato Grosso chegou a São Paulo aos 11, quando a família decidiu buscar um futuro melhor. Foi nessa época que começou a se descobrir como mulher.
Mesmo criança, nunca fora bonitinha de rosto. Os comentários sempre vinham carregados de malícia: “É a cara do pai”, diziam, apontando o nariz largo, a testa saliente e os traços fortes herdados do lado paterno. Mas ela não ligava pra isso. Tinha outro tipo de beleza - uma que provocava inveja nas mulheres e desejo nos homens. Seu corpo se desenvolvera desde cedo, antes mesmo da puberdade, dando-lhe curvas salientes e generosas, com uma cintura bem desenhada e um quadril largo e empinado. Herança essa que vinha da mãe, uma mulher que, na juventude, também fizera muitos perderem a fala.
Foi por isso que acabou ganhando na escola o apelido: “Guida Raimunda”. Podia ter um quê de crueldade, mas ela não se importava. No fim das contas, os rostinhos bonitos recebiam elogios, mas era um corpo como o dela que deixava rastros de volúpia por onde passava.
O que a incomodava, na verdade, era quando a constância das cantadas vulgares que recebia – como “Ô, gostosa, hein!” ou “Essa nega lá em casa...”, não atingisse o nível mínimo esperado. Era uma menina bem assanhada, como dizia a mãe—e como ela mesma admitia. Adorava vestir saias curtas e shorts colados, quando saia com aquele rebolado cadenciado pela rua. Sabia o efeito que causava e saboreava cada olhar, cada expressão de desejo. Era seu poder. As amiguinhas, podiam até ter rostos que pareciam de anjos, mas não chegavam nem perto de uma tesuda dos infernos daquela.
Guida sempre fora assim. Sem pudores e até sexualmente ativa. E nunca, nunca se envergonhou disso.
Seu companheiro de vida foi, Antônio, um assistente de mecânico meio chucro, mas cheio de carisma, principalmente para o sexo oposto, que Guida conheceu no colégio. Viviam se pegando sempre que tinham chance, uma pegação bem quente, diziam as más línguas.
E era verdade. Guida tinha um desejo sexual exacerbado e uma falta de pudor tão grande quanto o de Antônio. Qualquer lugar era lugar pra uma chupada, uma punheta, uma trepadinha rápida.
Até que o pai de Guida, cansado dos boatos e das reclamações da esposa, deu um ultimato no rapaz. E os dois resolveram juntar os trapos.
E Antonio até que ficou muito feliz. Enchia a boca pra dizer aos quatro ventos que tinha casado com a “Nega mais gostosa do Capão Redondo”, bairro da periferia de São Paulo onde moravam. E durante os primeiros anos de casamento, tudo foi uma maravilha. O marido nunca fora um homem controlador e se orgulhava de ver Guida exibindo suas curvas, fazendo inveja a outros homens. E a vida sexual continuava sempre as mil maravilhas. Guida era extremamente apaixonada por ele.
Mas o tempo e as dificuldades começaram a desgastar o relacionamento. Ela engravidou duas vezes, mas perdeu ambos os bebês. O ultimo chegou a nascer, mas faleceu poucos dias depois. Essas perdas a entristeceram profundamente, fazendo-a desistir de vez da maternidade. E junto a tantas outras dificuldades da vida, a “Nega mais gostosa do Capão Redondo” foi perdendo aquela devassidão toda, parou de se cuidar, não ligava mais pra aparência. foi perdendo a chama.
E há dois anos, Guida descobriu as traições.
O barraco foi homérico. Do tipo que acorda a vizinhança toda. Guida, com sua costumeira personalidade “risca faca”, foi pra cima do sem vergonha, xingando de todos os nomes xulos que aprendeu na vida. E não eram poucos.
Mas Antônio não se prostrou.
— E tú queria, o que? — jogou na cara dela. — Nem se cuida mais. Tá toda baranga. Que homem que vai querer uma nega véia largada dessas?
As palavras estúpidas e grosseiras dele foram como uma faca cravada no peito de Guida. Depois disso, ela fez as malas e foi embora.
Sem os pais que já haviam morrido, nem os irmãos, que voltaram pro Mato Grosso há tempos, foi Dona Lívia, sua patroa há mais de uma década, que lhe deu o apoio que precisava.
— Você vai morar com a gente agora, Guida. Vou falar pro Gustavo mandar reformar a edícula. Você fica lá até ajeitar sua vida, ou até quando quiser. Você é da família!
Guida ficou aliviada e muito feliz com o apoio e carinho que recebeu da patroa. Já trabalhava para a família Bueno Amaral há quase 14 anos. Tinha começado quando o menino Célio, hoje um adolescente de 17 anos, era apenas um infante de 3, e a pequena Priscila ainda nem tinha nascido.
Dona Lívia era uma patroa exigente, mas sempre foi uma pessoa justa, e ao longo dos anos, desenvolveu uma relação de confiança e amizade com Guida.
— Se não fosse você, nessa casa, eu já teria surtado — Lívia costumava dizer.
Margarida não apenas limpava a casa, mas também era parte ativa nos cuidados com as crianças, principalmente, Priscila que era o seu xodózinho. Célio sempre foi um menino mais reservado, mesmo criança, mas também gostava muito dela. Dr. Gustavo, o marido de Lívia, era um advogado respeitado e serio. Mas também sempre foi muito gentil e respeitoso com ela e inclusive lhe ajudou muito com os problemas legais do divórcio.
Lívia costumava compartilhar confidências com Guida, especialmente sobre o casamento.
— Gustavo é um bom homem, mas às vezes parece que ele mora em outro planeta — dizia enquanto tomavam café juntas na cozinha.
Margarida também confidenciava com a patroa, mas principalmente depois de sua separação, sua alegria diminuiu bastante. Nunca conseguiu se livrar das palavras duras do ex-marido e sua auto estima nunca mais foi a mesma. Mas sempre cuidou de cumprir todas as suas obrigações e ser um apoio praquela família que sempre a tratou tão bem.
Quando Lívia anunciou que queria fazer uma viagem de segunda lua de mel com o marido, Margarida foi sua maior encorajadora e se prontificou a cuidar da casa e das crianças.
— Pode ir tranquila, Dona Lívia. Aproveita que eu fico de olho nos meninos e na casa.
— Só não deixa o Célinho ficar trancado naquele quarto, jogando o dia inteiro. E não dá trela pra Priscila ficar indo dormir tarde e comer muito doce, hein!
Ela riu, sabendo que era uma indireta, pois sempre foi muito “molenga” mimando os meninos, principalmente a pequena Priscila.
— Pode deixar, mulher!
Dois dias depois da partida de Dona Lívia e Dr. Gustavo, Margarida aproveitou a casa vazia para uma faxina caprichada. Célio estava no colégio e, depois, tinha cursinho pré-vestibular. A pequena Priscila passava o dia todo na escolinha, o que lhe dava tempo de sobra para fazer uma bela faxina pesada na cozinha.
Era um verão daqueles. Dias extremamente quentes. Nessas horas ela dava graças a Deus por não precisar usar uniforme. Nunca gostou e a patroa nunca exigira. Usava sempre roupas mais leves que a deixavam mais a vontade. E naquele dia, sabendo que ia suar muito, aproveitou-se do fato de estar sozinha para ficar mais á vontade ainda. Colocou um shorts legging amarelo e um top branco de ginastica, roupas da época em que tinha ânimo pra ir a academia. Como já faziam alguns anos, estavam bem apertados, mas ainda eram confortáveis.
Agaixada no chão, de quatro, esfregava com vigor o piso embaixo do armário, onde o rodo não alcançava. O esforço a fazia suar muito.
Foi quando, ao se virar para levantar, levou um susto.
— Ai, que susto, Célinho! — exclamou com o coração disparado.
Célio estava ali, parado na soleira da porta, calado, os olhos cravados nela. O silêncio entre os dois pesou no ar. O menino parecia sem jeito, meio travado, como se tivesse sido pego no flagra sem nem saber exatamente do quê.
Margarida, respirava fundo para recuperar o fôlego.
— Quer me matar do coração, menino?
Célio segurava a mochila nos ombros, os olhos arregalados, a expressão nervosa. Olhava para tudo—o chão, a parede, a mesa—menos para ela. Guida franziu o cenho, achando aquela reação estranha. Só então percebeu o motivo: o top, pequeno como estava, mal segurava os seios, e devido ao movimento de esfregação, o bico de uma das tetas estava á mostra.
Num movimento rápido, ajeitou-se, puxando e apertando tudo ali. Mas o top era muito curto e os seios estavam a ponto de pular pra fora de novo. Fora o shorts apertadíssimo, que marcava a frente com aquela “pata de camelo estufada”.
Notou quando os olhos de Célio vacilaram por um instante, deslizando hesitantes sobre seu corpo antes de se desviarem apressadamente. Para quebrar o constrangimento, ela perguntou:
— Foi pro cursinho, não?
— Não… Hoje não teve.
— Ah, tá… E tá fazendo o quê aqui parado, então? Quer alguma coisa? Tá com fome?
— Não, valeu. Tô tranquilo, Guida.
Ela estreitou os olhos, desconfiada. Ele continuava inquieto, mexendo na alça da mochila, evitando encará-la de frente.
— Ué, moleque?! Vai ficar aí plantado, é?
Célio soltou uma risadinha sem graça, ainda parecendo meio perdido. O olhar dele oscilou mais uma vez antes de se virar.
— Eu vou lá pro meu quarto, tá?
— Tá. Mas não vai ficar jogando videogame o dia todo, hein! Daqui a pouco te chamo pro almoço.
Guida ficou observando enquanto ele subia as escadas, com a testa franzida. Alguma coisa estava diferente nele, e ela não sabia dizer exatamente o quê.
Ajustou os seios mais uma vez e voltou ao trabalho, mas não demorou muito para notar que Célio ficava passando de tempos em tempos bem em frente da cozinha, como se estivesse procurando algo. Ele caminhava devagar, tentando ser discreto, mas Guida começou a desconfiar. Ele parecia parar na porta, mexendo no celular, sempre nas horas em que ela estava de costas ou abaixada limpando. E até mesmo quando chamou ele pra almoçar, enquanto os dois comiam na mesa, ele parecia nervoso. Mais quieto do que o normal.
“Esse menino tá estranho hoje…” – pensou.
E continuou depois com a sensação de sempre estar sendo observada.
Por volta das três da tarde, com a faxina finalmente terminada e antes que a pequena Priscila chegasse da escola, Margarida se retirou para o seu quarto, na edícula. O dia tinha sido puxado, e nos últimos tempos o cansaço parecia não dar trégua. Tinha se acostumado a tirar um cochilo toda a tarde. Um momento só seu, longe das inquietações que martelavam sem cessar em sua cabeça, desde o divórcio.
O calor pesava no ar, abafado. Decidiu deixar metade da janela aberta e foi se despindo. Tirou o top com certa dificuldade, chegando a conclusão que era hora de aposentar a peça. O shorts também deu um pouco de trabalho. Praticamente colado na pele, não cedeu de imediato. Com uma leve dificuldade foi deslizando aos poucos por suas coxas, levando junto a calcinha. Nem se preocupou—deixou o shorts cair no chão e puxou a peça íntima de volta ao lugar, que quase instantaneamente já se ajustou por entre as bandas de sua bunda avantajada. Naturalmente todas as suas calcinhas se enfiavam ali, não importava o tecido ou tamanho. Um “incômodo” tão familiar quanto inevitável.
Olhou pra cama e percebeu que o banho poderia esperar. O corpo pedia descanso antes de qualquer outra coisa. Jogou-se sobre a cama de bruços, e em menos de 5 minutos já dormia pesado.
Qualquer um que a visse deitada naquela posição, com a pele negra brilhante exposta e aquela calcinha enfiada, com certeza ficaria mais do que “animado”. O tempo tinha deixado duras marcas, mas não apagado o que ela ainda tinha de melhor. As curvas continuavam acentuadas, generosas, e sua bunda, mesmo sem a firmeza de antes, ainda era um espetáculo à parte—um detalhe que nem os insultos do ex-marido puderam diminuir.
Acordou sobressaltada, como se um ruído distante a tivesse puxado do sono. Não sabia ao certo quanto tempo havia cochilado.
Piscou algumas vezes, tentando se situar, e então percebeu algo estranho: a janela, que antes estava aberta, agora estava quase fechada. Um arrepio percorreu sua pele quando notou um vulto se movendo lá fora, entre as frestas.
Congelou. O coração disparou no peito. Sem respirar, puxou o lençol da cama até o rosto e ficou imóvel, tentando captar qualquer som além da própria pulsação acelerada. A sombra continuava ali—parada, observando.
— Quem tá aí? — sua voz saiu mais firme do que esperava, cortando o silêncio denso da madrugada.
A resposta veio em movimento. Rápido, furtivo. A sombra deslizou para longe, desaparecendo num instante.
Guida continuou olhando para a janela, o peito ainda subindo e descendo num ritmo tenso. Respirou fundo e, num ímpeto, vestiu-se às pressas. Abriu a porta com força, fazendo a luz de fora bater em seus olhos, ficando perdida por um segundo. Olhou ao redor, andou um pouco pelo quintal, mas não viu ninguém.
— Célinho? É você?! — chamou, erguendo a voz.
Nenhuma resposta.
Decidiu voltar para dentro, mas o arrepio na nuca permanecia. Sentou-se na beirada da cama e passou as mãos pelo rosto, tentando afastar a sensação incômoda de ter sido observada. O medo era discreto, sutil, mas estava ali—insistindo.
Alguém tinha estado ali. Espiando ela enquanto dormia. Seria aquele filho da puta do Antonio? Mas como é que o canalha tinha conseguido entrar ali?
Ficou um pouco nervosa consigo mesma ao perceber que ainda pensava naquele traste. As palavras do ex ecoavam em sua mente: "Que homem vai querer uma nega véia largada dessas?"
Aquilo, vindo do homem que mais amou em sua vida, tinha despedaçado sua autoestima. Durante muito tempo, acreditou nessas palavras como se fossem uma sentença. E esse pensamento ainda a fazia ficar deprimida.
Foi quando percebeu que já era hora da van da escola chegar com a menina Priscila. Ela deixou aquilo pra lá e correu pra começar a arrumar o lanche da tarde.
Priscila, com seus 7 anos recém-completados, chegava da escola sempre às 17h. Assim que a van parava, saltava animada e corria para os braços de Guida, que a acolhia com o mesmo afeto. Aquela menina era quase a filha que ela nunca teve.
Ao entrar em casa, encontrava a mesa posta com seu lanche da tarde. Sentava-se apressada, ansiosa para comer e contar as novidades do dia. Guida adorava ouvi-la, encantada com as histórias e pequenas intrigas da escola.
— Aí a Manoela quis me proibir de brincar, mas eu disse que ela não mandava na quadra e entrei assim mesmo. Todo mundo ficou do meu lado! — contou Priscila, orgulhosa.
Enquanto escutava a menina, Guida notou o prato que havia deixado para Célio e se lembrou de que ele ainda não saíra do quarto. Antes que pudesse dizer algo, Priscila se prontificou a chamá-lo. Levantou-se num pulo e subiu as escadas como um pequeno furacão. Minutos depois, desceu com a resposta: ele não estava com fome.
Guida suspirou, guardou a comida e seguiu para a pia. Enquanto lavava a louça, Priscila pediu permissão para ir brincar com a prima, que morava na casa ao lado. Guida concordou, desde que ela tomasse um banho rápido antes. Num instante, a menina saiu correndo, largando as roupas pelo caminho e mergulhando no chuveiro.
Mais tarde, depois de deixá-la na casa da vizinha e bater um papo com a irmã de Dona Lívia, Guida retornou para casa. Enquanto guardava as roupas de Priscila, percebeu que Célio continuava trancado no quarto.
Preocupada, resolveu preparar um lanche e levá-lo pessoalmente.
Subiu as escadas com um sanduíche e um suco em mãos, chegando à porta que tinha um daqueles cartazes de obra, dizendo “Homens Trabalhando” em inglês. — Era o nome de uma daquelas bandas de rock que Célio gostava. O pai dele também adorava esse tipo de música, mas, para Guida, nada que não fosse samba e pagode prestava.
Bateu suavemente e chamou pelo nome dele. Nenhuma resposta. Esperou alguns segundos e tentou de novo.
— Célinho! Sou eu! Trouxe um lanche!
Silêncio.
Notando que a porta estava destrancada, abriu-a devagar. Assim que entrou naquele típico quarto de adolescente nerd, avistou o menino completamente absorto naquele computador, que mais parecia uma nave espacial pra ela. Os enormes fones de ouvido, que Dona Lívia vivia dizendo que o deixariam surdo, cobriam suas orelhas. De costas para a porta, ele nem notou sua presença.
— Claro que não ia me ouvir, né? — disse em tom alto, mas, mesmo assim, sem chamar a atenção do garoto.
Deixou o lanche e o suco na escrivaninha ao lado, que era sempre incrivelmente organizada pra um adolescente e se aproximou, já planejando se vingar do susto que havia levado na cozinha mais cedo.
— Tua mãe já não mandou parar de ficar grudado nesse jogo o dia todo, rapaz? — brincou, estendendo a mão, pronta para cutucá-lo.
Foi então que viveu o constrangimento mais avassalador de sua vida — o pior desde o divórcio.
Ao olhar para a tela do computador, não encontrou nenhum joguinho de videogame, como imaginava. No lugar, uma imagem explícita: uma mulher deitada de bruços na cama, com a bunda empinada. Mas antes que pudesse processar aquilo direito, seus olhos captaram algo ainda pior.
Célio estava com o pinto pra fora, alisando-o entre as mãos, em um pleno e frenético onanismo.
— Ai, meu Deus!!! — Guida gritou, assustada, tapando os olhos e se virando em disparada para a porta.
O berro repentino fez Célio saltar da cadeira. Ao perceber a presença dela, apavorou-se. Num desespero cego, tentou se recompor e, ao mesmo tempo, desligar a tela do computador. O susto foi tão grande que nem conseguiu formular uma palavra.
Guida, vermelha de horror, já corria para fora do quarto.
— Eu bati na porta e você não respondeu!!! Achei que tava jogando! — disparou, fechando a porta com tanta força que quase derrubou o cartaz colado nela.
No corredor, ainda ofegante, repetia pedidos de desculpa ao vento, como se pudesse apagar o que tinha acabado de acontecer. Desceu as escadas quase tropeçando e, ao chegar à cozinha, jogou-se na cadeira.
Com as mãos no rosto, ainda atordoada, pensava: “Ai, meu Pai! Peguei o menino batendo punheta!!! Que vergonha!!!”
Tentando recuperar o fôlego, pegou um copo d’água e o virou de uma vez, torcendo para que aquilo descesse junto com o choque. Pensava antes de tudo no pobre do menino. Se ela estava daquele jeito, imagina o estado de Célio.
Mas não havia a menor condição, naquele momento, dela ir verificar se ele estava bem. Resolveu só ficar ali. Com o tempo, a pressão foi voltando ao normal. Mas o trauma, esse ia demorar um pouco mais.
Depois disso, Célio não saiu mais do quarto.
Mais tarde, já de noite, a irmã de Dona Lívia ligou, perguntando se Priscila podia dormir na casa da priminha. Como a patroa sempre permitia, Guida não viu motivos para negar. Do outro lado da linha, ouviu os gritinhos animados das meninas ao receberem a notícia.
— Obrigada, Guida! Amanhã, depois do café, eu mesma levo a Priscila aí.
Ao desligar, voltou a pensar no ocorrido. O calor do constrangimento ainda queimava em seu rosto. Como ia olhar para Célio sem querer se jogar no chão e sumir?
Mas à medida que o tempo passava e a vergonha ainda formigava em sua pele, outro pensamento começou a aflorar em sua cachola.
Voltou a visualizar a imagem na tela do computador. Aquela que enxergou por um instante antes de sair correndo do quarto... Era uma mulher negra, encorpada, deitada na cama com a bunda para cima...
Engoliu em seco. Lembrou-se de Célio espiando-a na cozinha. Do jeito que ele passava pra lá e pra cá, sempre tentando disfarçar.
Aquela sombra na janela da edícula, que até achou ser o ex...
Só podia ser ele! O moleque teve a ousadia de vir até o quintal espiar ela, ali no seu quarto.
Guida sempre achou aquele menino educado demais. Demais mesmo. Quase bobo, às vezes. Mas sabia que aquele era só o jeito dele.
Ela vinha de uma realidade muito diferente daquela em que os filhos de Dona Lívia tinham sido criados. No Capão, os moleques de 17 anos já estavam era engravidando as menininhas bonitinhas e idiotas — e isso desde sua época de adolescente.
Guida não era mais a jovenzinha assanhada que gostava de roupa curta só pra provocar os homens, e se engraçava com qualquer um que achasse bonito. Mas ainda lembrava muito bem como funcionava a cabeça de um menino naquela idade. Mesmo os mais tímidos como Célio.
Estavam naquela fase onde até uma manequim de loja já fazia o sangue do corpo ir todo pra cabeça de baixo.
Voltou pra imagem do computador...
Uma mulher negra...
Encorpada...
Cabelos curtinhos...
Bunda para cima...
E ao lembrar que ela mesma estava cochilando quase nua, com a bunda empinada pra cima e aquela calcinha enfiada na racha, um calor junto com um arrepio de raiva subiu pelo seu rosto. O coração acelerou.
— Onde já se viu?! Esse desgraçado desse moleque tirou uma foto minha pra bater punheta?! — pensou, fervendo de ódio.
Sem hesitar, levantou-se de um salto. Com passos pesados, começou a subir as escadas, cada batida do pé no chão ecoando como um tambor de guerra. Ia dar um sacode no pirralho, fazer ele apagar aquela foto e deixá-lo de castigo pelo resto da semana.
E quando Dona Lívia voltasse... Ah, ela ia contar.
Ia sim.
E conhecendo bem a patroa... Mesmo Célinho já sendo crescido... A cinta ia cantar!
Bateu firme na porta do quarto, chamando o nome de Célio. Estava pronta para despejar sua fúria, mas congelou ao ouvir a voz abafada lá de dentro, tímida e carregada de medo:
— Pode entrar, Guida.
Respirou fundo. E entrou.
Célio estava sentado na cama, o olhar baixo, choroso. Por um instante, ele não era mais aquele adolescente, mas sim o garotinho de 8 aninhos que quebrou a televisão brincando com a arminha de plástico. "Num conta pra mãe não, Guida!"
Aquilo a desarmou.
Ficou parada na porta, enquanto ele tomava a iniciativa.
— Desculpa, Guida... Eu não sabia que cê tinha entrado.
O tom culpado fez seu coração apertar. Mais calma, ela se aproximou e sentou-se ao lado dele na cama.
— Ô, Célinho... Eu é que tenho que pedir desculpa. Entrei sem avisar, mas eu chamei e você não respondeu.
Célio ficou em silêncio. Os ombros tensos, a cabeça baixa. Ele tremia. Guida percebeu e, instintivamente, segurou suas mãos.
— É que... Eu tava de fone, e... — Ele tentou continuar, mas a voz falhou.
— Eu sei... Mas você tem que prestar mais atenção.
Ela se surpreendeu com a doçura do próprio tom. Até um segundo atrás, queria matar o menino. Mas agora, olhando para ele ali, tão vulnerável, só conseguia sentir carinho.
Célio era um anjo. Um menino de ouro. E ela sabia que aquilo era normal. Sentiu que a melhor coisa mesmo seria aconselhar e não dar uma bronca, como seus pais viveram a vida toda fazendo com ela.
— Ó... Não precisa ficar assim, tá? Isso é normal. Todo menino na sua idade faz isso. Mas toma mais cuidado. Tranca a porta, pra não correr o risco de outra pessoa entrar. Já pensou se fosse a sua irmã???
Célio não respondeu, apenas assentiu de leve, ainda evitando encará-la.
Guida o observou por um instante. O tempo tinha passado rápido demais. Quando foi que aquele moleque magricela tinha ficado tão alto? Tão forte? Tão bonito? O filho que qualquer mãe teria orgulho de ter.
Sacudiu a cabeça e se levantou. Melhor agora era deixá-lo sozinho para se acalmar. Ela nem se lembrava mas da bendita foto que a tinha deixado tão raivosa.
— Tá tudo bem, viu! Não precisa se preocupar. Mas me promete que não vai ficar fazendo muito isso não. Porque se tua mãe te pegar, aí sim vai ser problema!
Célio esboçou um sorriso tímido e confirmou com a cabeça.
Guida se moveu para sair, mas, ao se virar, notou como ele estava quase da altura dela, mesmo sentado.
“Como o tempo passa rápido...”
Impulsivamente, inclinou-se e beijou sua bochecha. Algo que fazia quase todos os dias — quando ele saía para a escola ou voltava para casa. Mas, dessa vez, foi diferente...
Sentiu algo novo.
Algo dentro dela que naquele momento não soube nomear. E resolveu só sair.
Guida desceu as escadas ainda sentindo um peso estranho no peito. Ligou a TV na tentativa de distrair a cabeça, mas não conseguiu prestar atenção em nada. Mudou de canal algumas vezes, bufou impaciente e, no fim, desligou.
O silêncio daquela casa imensa e vazia parecia amplificar os pensamentos que insistiam em girar na sua mente.
Foi nesse momento que quase deu um pulo com o toque repentino do celular. Pegou o aparelho e viu que era uma mensagem de Dona Lívia.
"Oi, Guida! Vi que a Pri vai dormir na casa da minha irmã. Ela me ligou agora dizendo que vai passar o fim de semana no sítio e queria levar as meninas junto. Achei uma boa ideia, já que a Pri ia acabar ficando sozinha. Deixa a malinha dela arrumada amanhã cedo que minha irmã passa aí pra buscar. Tudo bem?"
Guida soltou um suspiro. Pelo menos a menina ia se divertir.
Respondeu confirmando e trocou mais algumas mensagens rápidas com a patroa antes de finalmente decidir ir dormir.
Levou a mão à boca num bocejo preguiçoso, desligou as luzes e atravessou o quintal a passos lentos, sentindo o sereno esfriar sua pele.
Ao se aproximar da edícula, algo lhe chamou a atenção.
A luz do quarto de Célio, no segundo andar, ainda estava acesa.
Parou no meio do quintal, olhando para a janela. Lembrou que tinha se esquecido de falar sobre a bendita foto que o safadinho tinha tirado dela... Mas o quê ia exatamente falar? Não queria voltar a deixar ele constrangido naquela noite.
Melhor deixar pra outro dia.
Ele devia estar só assistindo Netflix ou jogando com os amigos pela internet.
Ou talvez estivesse... fazendo aquilo de novo...
Batendo punheta vendo ela com a calcinha enfiada no rego...
Mordeu o lábio, se sentindo estranhamente incomodada com o pensamento. Respirou fundo e seguiu para seu quarto.
Já deitada na cama, com a luz suave da lua entrando pelas frestas da grade da janela, Guida não conseguia dormir.
Estava tomada por aquela sensação estranha que sentira ao beijar Célio na bochecha. Um leve desconforto, mas... não era de todo desagradável. Algo que a fazia lembrar da sua juventude. Uma fração de vaidade, aquela mesma que sentia quando sabia que todos na rua paravam para ver a “Nega mais gostosa do Capão” passando. Uma sensação que pensava que nunca mais iria sentir.
Continuava pensando em Célio. Um menino lindo, educado, de família respeitável.
Se fosse um pouco menos tímido, poderia ter qualquer uma das menininhas do bairro, sem esforço algum.
Sim. Guida notava o jeito que as adolescentes da vizinhança cochichavam e riam, todas assanhadinhas, quando o viam jogar bola. Sabia bem qual era o tipo de interesse, porque ela mesma era assim na sua época. Se, quando jovem, tivesse cruzado com um rapaz como Célio... Ah, ela teria caído matando.
E se Célio fosse um pouco mais esperto, poderia conquistar todas aquelas meninas do bairro. Passar o rodo geral.
Mas ali estava o grande dilema... Ele podia fazer isso com qualquer uma daquelas patricinhas, lindas e novinhas. Mas estava se acabando na punheta vendo uma foto dela.
A “nega véia largada”, humilhada por aquele filho da puta do Antônio... Era ela quem tava deixando aquele menino lindo de pau duro.
Esse pensamento, além de lhe trazer uma doce sensação de vingança, começou a reacender algo dentro dela. Uma chama que, ela achava, já tinha se apagado.
Mas logo lembrou que aquele era um menino que ela praticamente criou e viu crescer. E decidiu que devia parar de pensar naquelas besteiras.
Mas a noite se arrastava lentamente, como uma tartaruga, enquanto a chama parecia arder cada vez mais intensamente.
Ao mesmo tempo em que se condenava, ela, sem controle, cedia ao desejo e deslizava as mãos pelo corpo suado. Acariciou os seios por cima da camisola, sentindo os mamilos endurecerem. Com uma leve pressão, os massageou, sentindo um arrepio prazeiroso. Seus lábios se entreabriram, soltando uma respiração acelerada. Ficava a todo momento pensando em parar, mas as mãos já tinham vida própria. Os dedos viajaram para baixo, alisando a pele flácida e macia da barriga, até que chegaram onde queriam.
A calcinha estava completamente encharcada.
Imaginando o que Dona Lívia iria pensar se sequer desconfiasse daquilo, ela empurrou o tecido pro ladinho. Sentiu os lábios vaginais carnudos e inchados. Com a pontinha do dedo, fez um carinho provocante naquele ponto.
— Ahh... - gemeu, sua voz rouca ecoando no quarto.
Começou a mover seu dedo para dentro e para fora, devagar. A buceta respondia com entusiasmo, piscando e apertando-se em torno de seu dedo como se o convidasse a ir mais fundo. Ela acelerou um pouco o rítmo, aumentando a pressão e o prazer.
Os pensamentos a levaram de volta às lembranças, colocando-a novamente no momento daquele beijo... Imaginando se ele também havia sentido o mesmo...
Com certeza também tinha sentido aquele comichão...
“Deve ter ficado de pau duro....”
Seus movimentos tornaram-se mais vigorosos, penetrando-se com uma urgência crescente. A respiração de Guida acelerou, seus seios se movendo ritmadamente com cada investida de seus dedos. Ela inclinou a cabeça para trás, enquanto seus olhos se fechavam em êxtase. A sensação era intensa, uma mistura de prazer e urgência que a consumia por completo.
E se ela tivesse feito diferente?
Se tivesse perguntado se ele tava de pau duro?
Se tivesse pedido pra ele tirar pra fora aquela coisa grande e rija?
Se ela se ajoelhasse na frente dele e começasse a bater uma punheta, como fazia com os meninos atrás do muro da escola, quando tinha 13 anos?
O tesão finalmente a consumiu por completo, numa sensação tão profunda que parecia irreal. Em estado de êxtase, ela arrancou a calcinha, quase rasgando-a, e enfiou os dedos com tudo lá dentro, com força mesmo, buscando o ápice daquela volúpia selvagem.
Guida balançava os quadris e arreganhava as pernas ao máximo, enfiando os dedos com violência, numa velocidade frenética, penetrando-se profundamente. A buceta pulsava, ansiando por um clímax que se aproximava rapidamente. Seus gemidos se misturavam ao som encharcado que se espalhava pelo ambiente, toda vez que enfiava e tirava os dedos.
Tinha plena consciência que estava gemendo alto, quase gritando de prazer, e em meio àquele arroubo de luxúria, imaginava se Célio estava ouvindo?
E se estivesse, será que também estava se masturbando agora?
E se ele estivesse ali, bem atrás daquela janela? Vendo ela toda aberta igual uma puta, gemendo e enfiando a mão quase inteira naquela buceta gulosa...
O gozo não demorou a chegar… E chegou de forma arrebatadora, explodindo através dela com uma onda de prazer que a sacudiu por completo. Espasmos se sucederam, intensos e incontroláveis. Sua buceta contraiu-se, apertando os dedos que ainda estavam dentro dela. Ela não conseguiu segurar o grito que escapou, um som puro de êxtase. Nem se importou em disfarçar. O prazer se tornou maior que qualquer preocupação.
Ela sempre fora assim na hora do sexo: escandalosa, entregue ao desejo, sem restrições, sem medo de ser ouvida.
— Minha Nossa Senhora... Que caralho foi isso???
A frase saiu de sua boca como um pensamento alto, um reflexo automático, mas com as palavras aparentemente fracas diante da explosão de sensações que ainda pulsavam dentro de seu corpo. Cada respiração vinha com dificuldade, como se o ar tivesse se tornado escasso, e o frenesi ainda queimasse em suas veias. Seus sentidos estavam à flor da pele, sobrecarregados, mas havia algo tão delicioso naquilo que não conseguia se afastar da sensação.
— Aiii... Meu Deus... Que gozada gostosa... - murmurou, como se não conseguisse acreditar na intensidade do que acabara de viver. Como se o prazer daquele orgasmo tivesse apagado o resto do mundo.
Ela retirou os dedos, sentindo a umidade em suas mãos como uma prova física de seu prazer. Sua pele negra brilhava, quente e molhada. Com a respiração entrecortada se permitiu parar por um momento para simplesmente sentir. Sentir o vazio gostoso do corpo após o excesso, o intervalo de finalmente ter se entregado aquela tempestade interna.
Fazia anos, que não se sentia plena daquele jeito.
O cansaço logo veio, como uma onda desencadeada, dominando-a de uma vez. Seus músculos se afrouxaram, sua mente se perdeu no escuro. Não conseguiu mais manter os olhos abertos.
Sem forças para mais nada, ela simplesmente se deixou afundar no sono.
CONTINUA...
Aguardando o continuação
Colossal
puro tesão