SERÁ QUE TUDO ESTÁ ESCRITO NAS ESTRELAS? Capítulo 20
De Brasília fui direto para Campinas, por conta do mestrado. Resolvi tudo em uns quatro dias e ainda tive tempo de visitar o meu irmão e minha cunhada em São Paulo. Eles estavam muito bem e até me mostraram as fotos do último carnaval. Como todo ano a Millene desfilou no Rio de Janeiro e a novidade é que eles acabaram desfilando também no sambódromo de São Paulo, que por sinal não é muito distante da casa deles. Quanto à Fernanda, eu continuava não dando muita atenção para ela. E a única novidade é que ela me mandou uma mensagem contando que a dupla dela acabou ficando na quinta colocação no torneio de vôlei de praia. Como resposta me limitei a enviar a seguinte mensagem: “Parabéns!” Assim que coloquei os pés em Criciúma já fui convocado para conhecer o apartamento novo do Fabrício e da Renata, que tinham acabado de retornar de sua lua de mel/férias na Grécia. O lindo apartamento deles ficava em um prédio novo, bem de frente para a Praça do Congresso. Chegando lá, até brinquei com o Fabrício, dizendo que a vida de casado estava muito boa para ele, que certamente havia ganho uns três quilos desde o casamento. A Renata, sempre linda e atenciosa, já foi me recebendo, falando e mandando eu me sentar: — Beto, estávamos morrendo de saudades de você... eu já falei para o meu marido que ele está gordo... na Grécia tem um tal de moussaka é uma espécie de lasanha que ele comia direto. Não tem como não engordar assim. Olhei para o Fabrício e ri, enquanto falava: — Hummm, marido! — Kkkkk, eu já tô treinando há muito tempo. Agora é marido ou amor! kkkk Ficamos ali conversando e botando a fofoca em dia. Eles me contaram de suas viagens, me mostraram fotos e até ganhei umas lembrancinhas da viagem. Em vários momentos a Renata comentou que se lembraram de mim naquele lugar, ou que eu deveria conhecer tal lugar. Depois de um cafezinho a Renata, meio receosa, me perguntou: — Você viu a Amália no nosso casamento? Balancei a cabeça e respondi que não, pois realmente na tinha visto ela. Apesar de não pensar na Amália há muito tempo, já era de se imaginar que ela iria ao casamento, por ser muito amiga do Fabrício. — Pois é, Beto, acho melhor o Fabrício te contar o que aconteceu. Vai amor, conta para ele... — Contar o que? — Conta da empolgação da Amália, que ela queria ver o Beto e a mensagem que ela te mandou depois do casamento... — Poxa Renata, não tem o que contar... — Como não tem o que contar! Deixa que eu conto então. Se eu falar alguma coisa errada você me corrige... – E, me olhando, a Renata começou: — Foi assim, quando convidamos a Amália para o casamento, o Fabrício, como quem não quer nada, comentou que você seria um dos padrinhos e ela ficou toda empolgada. Chegou até a perguntar se você estava com alguém, se estava namorando... essas coisas. Depois, me disseram que quando você chegou na igreja, de mãos dadas com aquela loirona linda, a Amália foi embora na mesma hora. Um dia depois do casamento ela mandou uma mensagem se desculpando com o Fabrício por não ter ido à recepção após o casamento, alegando que estava se sentido indisposta. Eu fiquei olhando para a Renata com minha cara de indiferença, afinal aquela menina já não significava nada para mim. Ao ver isso, a Renata já emendou: — E me conte logo quem é aquela loirona! Tá todo mundo perguntando! É a fofoca top das minhas amigas!!! Contei para eles como conheci a Fernanda, falei que ela morava próximo à casa da minha madrinha, que fui ao aniversário dela e que éramos apenas amigos. Falei que, como não tinha ninguém para me acompanhar ao casamento, a convidei e ela aceitou. — Tem gente até falando que você contratou uma modelo para chegar arrasando na igreja. — Que nada, ela é só uma amiga mesmo. — E que menina linda. Amigo, evolui essa relação. Imagina os filhos que vocês vão ter: Vão ser lindos e enormes. — Até você Renata... vou te tirar da minha lista de amigos... a Fernanda é muito novinha, só tem 16 anos... e você viu o jeito arredio dela com o pessoal. Não tem nada a ver. Acho que até foi um erro convidar a menina... — Bobagem Beto. Menina linda igual aquela nem em desfile de moda você acha. — Tá bom, vamos mudar de assunto antes que você fale que estou ficando para titio... kkkk. Logo depois terminei a visita e fui embora. Fernanda, Amália e sabe-se lá mais quem! O pessoal queria me arrumar uma namorada de qualquer forma. Só que eu não estava procurando uma namorada. E caso acontecesse, eu não ficaria com uma menina pela beleza ou pelo seu dinheiro (claro que se ela tivesse seria um bônus bem vindo). Se eu fosse me envolver com alguém, certamente procuraria uma menina legal, inteligente, companheira, que gostasse de mim do jeito que eu sou e que quisesse crescer junto comigo. No sábado, pela manhã, minha mãe me contou que a minha madrinha viria nos visitar e chegaria logo depois do almoço. Eu respondi para minha mãe que sairia rapidinho e estaria em casa quando minha madrinha chegasse. De manhã eu só iria sair para comprar uns componentes para um projetinho que estava fazendo, usando arruíno. Na parte da tarde eu só teria aula de natação a partir das 17h. Minha madrinha chegou por volta das 14h. Até aí tudo bem, nada de novo, pois ela nos visitava umas duas vezes por ano. Só que quando minha mãe atendeu a porta ouvi ela perguntando: — Nossa Maria, quem é essa moça linda que está te acompanhando? Quando eu ouvi essa pergunta, não sei por que, mas eu já sabia que a Fernanda estava com ela. — Essa é a Fernanda. Sou muito amiga da família dela. — Mocinha, você é linda! Parece uma bonequinha. Quer dizer, uma bonecona! Você é enorme! Parece a minha sobrinha, que mora em Gramado... — Aí, obrigada. A senhora é muito gentil! Cheguei na sala e a minha madrinha veio correndo me abraçar. — Olha quem eu trouxe! Assim, enquanto eu converso com a sua mãe, você pode matar a saudade da Fernanda. Olhei para a Fernanda e ela abaixou os olhos e ficou vermelha. Dava para ver que suas bochechas ficaram rosadinhas. E ela falou baixinho: — Oi Beto. Tudo bem? Não consegui nem responder, pois minha madrinha já me puxou pelos braços e foi falando: — Vamos nos sentar, que esse calor está infernal. Nos sentamos e fiquei fazendo sala para elas por uns vinte minutos, até que minha madrinha sugeriu que a conversa estava ficando chata para os jovens e que eu e a Fernanda deveríamos dar uma volta e deixar ela e minha mãe conversarem em paz. Meio contrariado, chamei a Fernanda e fomos nos sentar embaixo de uma árvore que tinha na frente de minha casa. Ficamos em silêncio por alguns segundos até que ela, ainda meio tímida, falou: — Parece que você não gostou muito de eu ter vindo. — Não é isso, eu só não esperava que você viesse com minha madrinha. — É sobre nós... desde o casamento parece que você está me evitando... você não quer mais falar comigo? Eu pensei por um instante e resolvi abrir logo o jogo: — Olha Fernanda. Eu tenho esse defeito: comigo é oito ou 80. Eu não sei ficar de fingimento e eu realmente fiquei muito chateado pela forma até esnobe com que você tratou meus amigos lá no casamento.... e outra coisa: você falou em “nós”... existe “nós”? Ainda não sei que tipo de relação nós temos... não sei se sequer temos algum tipo de relação... não sei mesmo... será que um de nós não entrou na “friend zone” do outro... já nos conhecemos há quase três meses e o máximo que nós tocamos foram uns beijinhos no rosto e um pegou na mão do outro no dia do casamento... é sério... eu agradeceria se você pudesse me ajudar a entender isso tudo! Eu tô viajando na maionese ou tem alguma coisa a mais? Na mesma hora ela me olhou com uma cara muito assustada e voltou a ficar com a face avermelhada. Na hora me veio na mente: “pronto, agora a menina vai começar a chorar”. Só que ela não chorou. Respirou fundo e começou a falar, em tom calmo, pausado e evitando me encarar por muito tempo. — Isso é uma das coisas que eu queria conversar contigo, só que não sabia nem por onde começar... aí... é melhor eu falar logo... sabe... eu tô gostando de você... gostando como homem... e cada vez eu gosto mais... só que eu não queria... Ela fez uma pausa muito grande e deixou o olhar perdido no horizonte, então quando eu ia perguntar o porquê disso ela continuou: — Eu namorei com o Felipe por três anos. Dos treze anos até poucas semanas antes de nos conhecermos lá na praia. E eu era apaixonada por ele... e por um bom tempo acho que faria qualquer coisa que ele me pedisse. Só que de um tempo para cá eu amadureci. Eu tenho meus objetivos e sei que vou precisar me esforçar muito para consegui o que eu quero para a minha vida... só que ele não amadureceu. Isso me incomodava muito... eu dei vários toques para ele... foram várias DRs... até que um dia eu me cansei e terminei tudo... Uma lágrima, que desceu pelo seu rosto, denunciou que seus olhos estavam marejados. Ela só limpou a lágrima e continuou: — Eu sofri bastante... o que mais doeu foi que parece que ele não sentiu nada... a vida continuou normal para ele. E eu decidi que não queria mais me magoar e que não ia querem mais ninguém na minha vida por um bom tempo... Ela então mudou a posição em que estava sentada. Esticou as costas, se apoiou na parede, me encarou e continuou a falar. Só que dessa vez com a voz mais decidida, falando mais alto e rápido: — Daí eu conheci esse rapaz bonito, inteligente, engraçado e atencioso. Mesmo não querendo me envolver eu toda hora me pegava pensando nas conversas agradáveis que nós tivemos e no sorriso lindo dele... Pois é, Beto, mesmo não querendo, a cada dia que passa eu acho que estou gostando mais de você. — Nossa, Fernanda, eu acho que temos que conversar... e conversar bastante... não aqui... — Só mais uma coisa Beto. No casamento... eu amei você ter me convidado e adorei ir contigo. Só que na hora, foram tantos sentimentos contrastantes... sabe, ainda dói e eu não quero mais sofrer... então eu acho que me fechei. Eu já sou meio tímida e devo ter ficado... Ouço o grito de: “— Betaaãoooo”. E quando olho vejo a Carol, com seus cabelos flamejantes já atravessando a rua, vindo em nossa direção, com um sorriso no rosto. — Que saudade de você, seu sumido! E tá bem acompanhado... você é a moça do casamento, né! Desculpa, ele nos apresentou... eu sou a Carol! A Fernanda se levantou e cumprimentou a Carol. — Eu sou a Fernanda... — Puts, eu ia perguntar como você conseguiu agarrar esse meu amigo solteirão arredio, só que... nossa, você é modelo? Sério, você é muito bonita! — Obrigada! A Carol parece que se tocou. Arregalou os olhos e me olhou. — Esperou que eu não esteja interrompendo nada. — Não bobinha. Senta aqui com a gente! Como está o Bidu? As duas se sentaram e a Carol foi logo falando: — Fernanda, fique sabendo que eu conheço mais de uma dúzia de mulheres que são loucas para sair com o Beto, só que ele não dá bolas para ninguém... você vai ser muito odiada aqui nas redondezas e vai ser mais odiada ainda se magoar o meu amigo. A Fernanda me olhou e respondeu: — Nós somos só amigos... — Tá bom! Aplica outra que essa não deu para matar! Dá para ver a cumplicidade nos olhos de vocês! E vocês nem viram o murmurinho quando chegaram juntos no casamento... — Não Carol, a Fernanda é só minha amiga mesmo! Não tem nada de mais. — Betão, você não sabe mentir! Até quando você armou para que eu ficasse com o Fábio eu já sabia desde o começo. E por falar naquele safado, agora quando ele não está estudando, ele vai pescar com o pai. Já falei para ele não ficar chorando pelos cantos depois que ganhar uma galhada. — Para você ver Fernanda, que nem para cupido eu sirvo. Rimos e depois ficamos conversando até que deu a hora da minha natação. Como a minha madrinha estava de carro, ela falou que, se a Fernanda quisesse ir comigo para natação, elas iriam embora só depois que voltássemos. A Fernanda foi comigo. Nadei um pouco e depois conversamos mais um pouco. E a Fernanda foi logo falando: — Eu me senti ameaçada pela Carol! Nossa, que responsabilidade! — Hahahá! Isso porque você não conheceu a sua xará, a Nanda. Essa minha amiga da época da faculdade já teria te encostado na parede e feito um interrogatório. — Tô vendo que ficar contigo é uma profissão de risco. E eu tô evitando ao máximo conversar com a sua mãe. — Não, minha mãe é tranquila. Ela nem liga pra mim. Mas se você fosse namorar com o meu irmão ela, no mínino, te faria passar por um detector de mentiras. Isso se ainda não te hipnotizasse enquanto você estivesse no polígrafo. — Credo Beto. Você tá exagerando... — Então vamos voltar para casa, dê uma boa conversada com a minha mãe. E vamos marcar um dia na semana que vem para conversamos e sei lá, vamos ver no que dá. — Tá bom! Sem botar muita pressão, pois eu sei que falei demais hoje. Eu só queria falar mais uma coisa, só que eu tô com vergonha. É coisa de namorados... eu nem sei como você era com suas namoradas... — Olha Fernanda, eu nunca namorei... — Não acredito! Como pode! — Acho que eu nunca achei a menina certa no momento certo. Não tenho outra explicação. — Pois continuo não acreditando... — É sério, não estou brincando. — Bem, então vou falar assim mesmo. É que quando eu namorava com o Felipe, a gente frequentava a igreja e, logo no começo do namoro, fizemos um voto de castidade, concordando em não ter nenhuma relação sexual antes do casamento. Foi ele que propôs, eu aceitei e, apesar de não estar mais com ele, acho que o voto foi para Deus e eu gostaria de manter esse voto. Gente, realmente era muita informação para processar. Eu teria que ficar sozinho por umas horas e refletir sobre tudo o que ela me falou. — Vamos fazer o seguinte, Fernanda. Vamos deixar tudo isso para a nossa próxima conversa. E vamos voltar para a casa, senão vão pensar que estamos quebrando esse seu voto. Kkkk. Voltamos para a minha casa e ainda ficamos mais umas duas horas conversando com minha mãe e minha madrinha. As duas foram embora só depois das oito horas da noite. Meu pai já tinha até voltado do trabalho. E foi ele o primeiro a comentar, logo após elas saírem: — Que moça linda é essa Fernanda! Ela é parente da comadre? — Não, elas são vizinhas. E com certeza ela veio atrás do Beto. Só achei ela seca demais e muito calada... Beto, essa é bem a loira que você levou no casamento do Fabrício, não é? Puts, cidade pequena é uma merda. Para a informação chegar na minha mãe a fofoca já rodou a cidade toda. Resolvi dar corda para ver o que andavam falando nas minhas costas. — Sim, foi ela quem eu levei. Ela também é a menina que fez aniversário... — Porque já teve umas quatro pessoas que me perguntaram quem era a moça que foi contigo e eu nem imaginava quem era. Falaram que era uma loira linda e muito alta... E meu pai completou: — Realmente muito alta, loira e bonita ela é. Até os pelinhos da sobrancelha dela são loiros. Não pude deixar de pensar nos pelinhos pubianos a Fernanda. E que delicia seria cair de boca na sua bocetinha rosadinha e passar a língua no grelinho dela. O pior é que a garota ainda era cabaço. É, eu teria muito no que pensar antes de falar novamente com ela. Marquei com a Fernanda de conversarmos na quarta-feira seguinte. Por indicação de um amigo levei-a a um bar e restaurante, em Tubarão mesmo, e que servia comida italiana e frutos do mar. Dessa forma, assim que saí do trabalho já fui buscá-la. Jantamos nesse lugar agradável. A Fernanda estava linda, toda maquiada e trajando um macaquinho preto, com mangas compridas e gola em formato de “V”. Quando ela foi ao toalete fiz questão de prestar atenção nas pessoas ao redor. E não teve um cara que não olhasse para ela. Uns discretamente e outros de maneira até acintosa. E isso era mais um fator para considerar na equação: se eu fosse ficar com a Fernanda certamente teria que controlar muito o meu ciúme, pois além de ser uma menina linda, ela chamava a atenção por onde quer que andasse. Depois do jantar ela começou a puxar o assunto: — Eu andei pensando muito em tudo o que conversamos... Eu não sei se falei demais... Eu tava revendo minhas ações e acho que estava chata demais... não sei, será que algum dia alguém vai gostar de mim... — Agora você tá fazendo drama. Você é uma mulher linda e maravilhosa. Só isso já atrai as pessoas para o seu lado. Depois disso, conquiste essas pessoas. Levei minha mão sobre a dela e nossos dedos roçaram gentilmente. — E se você descobrir alguma coisa de mim e depois não me achar mais assim tão maravilhosa. — Não sei Fernanda. A beleza está nos olhos de que vê. Os gestos e as atitudes contam muito... — E sobre nós! O que você decidiu? — Pois é, pela primeira vez na vida eu ainda não descobri o quero fazer... Não sei se é a resposta que você gostaria de receber. Eu queria deixar bem claro que eu gosto de você e gosto de estar com você. Acho legal a gente estar se conhecendo. Eu queria propor para a gente sair mais vezes e ir para locais diferentes. Assim podemos tirar todas as dúvidas... sei lá, se a gente começar a namorar você me avisa, pois vai ser coisa nova para mim. Quem sabe não está escrito nas estrelas que o nosso destino seja envelhecermos juntos... — Para mim tá bom. Eu já tenho até um lugar para ir. Uns amigos querem ir na Cachoeira da Bunda, aqui pertinho, em Treze de Maio. Se você for eu vou também. Acabei aceitando e marcamos de ir a essa Cachoeira no sábado.
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