SERÁ QUE TUDO ESTÁ ESCRITO NAS ESTRELAS? Capítulo 36



O dia estava nascendo e eu ainda não tinha conseguido dormir e então decidi ir para a sacada do quarto, me sentei em uma poltrona e fiquei lá vendo a paisagem.
Aquilo me distraiu um pouco e eu já estava quase cochilando quando a Fernanda apareceu ao meu lado e me questionou:
— Você está aí? A que horas vamos sair para o almoço?
Esse almoço, no apartamento dos pais da Manú, seria mais cedo, estava programado para começar às 11h da manhã e terminar às 12h30min, para dar tempo dos convidados se arrumarem. Os funcionários da alfaiataria estariam lá no apartamento, para entregar os trajes e fazer qualquer ajuste de última hora, do meio dia até às 14h. Então respondi para a Fernanda:
— Eu não vou. Não estou me sentido bem e só vou mais tarde para pegar a roupa.
Ela só falou um “— Tá bom!”. E voltou para dentro do quarto.
Fiquei pensando como ela nem se preocupava comigo, pois nem se preocupou em perguntar o que eu estava sentindo.
Eu estava mal mesmo! Estava me sentindo o pior cafajeste desse mundo. Como eu iria olhar para a cara do Fábio ou do Fabrício, ou pior, como eu iria me comportar ao lado da Manú ou da Renata. E como eu iria contar aquilo que havia acontecido para a Fernanda, caso eu voltasse a ficar de bem com ela. Eu tinha uma grande parcela de culpa e aquilo estava me corroendo. Só que, além daquelas duas, que também tinham sua culpa, acho que a Fernanda também tinha uma parcela grande de culpa daquilo tudo. Se não fossem as traições dela eu nunca teria me aproximado da Manú. E se estivesse tudo bem entre nós eu teria botado aquelas duas para correr no momento que percebi as suas intenções. Enquanto eu namorava e depois que casei, já havia recebido cantadas ou insinuações, só que como eu estava bem com a Fernanda, simplesmente não dei qualquer abertura para a pessoa continuar com aquilo. Apesar disso eu não me eximiria da minha grande parcela da culpa.
A Fernanda foi e voltou do almoço e eu continuei ali no mesmo lugar, tentando criar coragem para fazer o que eu tinha que fazer. Uma coisa que eu tenho é a coragem de enfrentar qualquer situação. A conversa com o Fábio iria ser tensa e eu estava me colocando no lugar dele e imaginando qual seria a minha reação. E cheguei à conclusão que eu terminaria tudo na mesma hora, diria que não haveria mais casamento e nem sei se perdoaria o meu amigo pela traição, pois certamente nossa relação nunca mais seria a mesma, afinal existem coisas que uma vez quebradas nunca mais voltam à forma antiga.
Já eram 13h quando resolvi ir lá no apartamento dos pais da Manú. O porteiro já me reconheceu, liberou a entrada e eu subi para o apartamento. Encontrei o Flavinho na sala. Perguntei dos noivos e ele me disse que a Manú já havia ido para o salão de beleza e que o Fábio estava na outra sala. Fui atrás dele. O meu coração batia tão forte que quase estava saindo pela boca. Fiquei perto da sacada e chamei pelo Fábio. Quando vi o olhar que ele me deu percebi na hora que ele sabia de tudo. Eu não tinha dúvidas que a filha da puta da Manú havia contado tudo para ele.
Ele veio para o meu lado. Eu já estava muito chateado e fiquei muito mais ainda, quando olhei na cara do melhor amigo que já tive. E vi o quanto ele também estava mal.
— Fábio, eu preciso falar contigo...
— Não tenho nada para falar contigo, seu desgraçado!
Isso confirmava as minhas suspeitas, mas eu tinha que falar com ele. Ele poderia me xingar ou me bater que eu não reagiria, pois eu estava errado e queria de alguma forma tentar esclarecer o que aconteceu.
— Me dá só dois minutos... eu sei que mereço qualquer castigo que você quiser...
— Não quero falar contigo. Cara, você ERA meu amigo e me fodeu sem nem me beijar antes... você transou com a minha noiva!!! Se você quiser aparecer no casamento tudo bem, se não aparecer não vai fazer falta alguma. Só que, se você for, não fale comigo... não quero nem que olhe para mim... eu poderia esperar isso de qualquer um, menos de você.
Ele se virou e foi saindo, enquanto eu falava:
— Eu sinto muito mesmo! Eu pisei na bola! Não tenho nem como tentar te pedir desculpas...
Fiquei sozinho na sala. Logo a Fabíola chegou sorrindo, me deu um abraço e um beijo no rosto e falou:
— Vamos arrasar hoje à noite! Vamos ser os super padrinhos!
Só sorri timidamente para ela, fui ao quarto do Flavinho e peguei o cabide com o meu traje de padrinho e fui embora, nem quis experimentar a roupa.
Voltei para o meu quarto de hotel e fiquei a tarde toda me martirizando. Até chorei um pouco quando fui tomar banho para me arrumar. Quase desisto de ir.
Eu e a Fernanda fomos de carona com a Fabíola, que também levou o seu namorado, o Javier e o Flávio. Chegamos e eu procurei ficar o mais longe possível das outras pessoas. Quem percebeu que eu estava mal foi a dona Célia, que veio perguntar o que acontecido comigo e, ante a minha negativa, ela disse:
— Você não está bem! Eu criei seis rapazes e sei quando há algo de errado contigo.
Novamente afirmei para ela que estava bem, pois eu não queria falar sobre o assunto. Quando o Fábio chegou, acompanhado sua da mãe, do Fabrício e da Renata eu fiz questão de me afastar mais ainda deles.
A Fabíola que pegou no meu pé e a toda hora me apresentava para um parente novo. A menina era elétrica, maluquinha e não parava de falar. Foi ali que eu fui apresentado rapidamente para o Maurice, que era o avô materno da Fabíola e para o Jacob e a Rebeka, que eram os tios dela (irmãos da Renate) que moravam nos Estados Unidos e o seu tio Michael, que era médico e morava em São Paulo, e que foi o senhor que me ajudou no dia anterior a levar os pais do Fabrício para o carro.
Ficamos assim até que a Renate veio avisando que a Manú chegaria em 10 minutos. Todos foram para os seus lugares, a Fabíola agarrou no meu braço e cochichou no meu ouvido: “— Já que sua mulher não quer ficar do seu lado eu vou aproveitar!”.
Uns cinco minutos depois o Fábio foi para a frente do altar e então, ao som do piano, começamos o cortejo, começando pelos pais dos noivos, os avós da Manú e então os padrinhos. Todos bem cadenciados, conforme havíamos ensaiado no dia anterior. Fiquei, junto com a Fabíola, na posição mais distante possível do noivo, porém ao lado da Renata, que só sorriu para mim discretamente. Quando entramos vi que o Fábio até virou o rosto para não me olhar.
A igreja que, segundo me falaram tinha lugar para 850 pessoas, estava totalmente lotada. (alguém chegou a me falar que foram enviados mais de 1000 convites para a cerimônia).
Todos entramos e ficamos esperando a noiva. Ainda ficamos lá, por mais uns cinco minutos, esperando até finalmente a Manú aparecer na porta da igreja, acompanhada do seu pai, o Arthur. Vocês não têm idéia de como ela estava linda. E de como eu estava puto com ela.
Logo tocou a marcha nupcial e ela entrou toda maravilhosa. O pior foi que, quando faltavam uns quatro metros para chegar ao altar, ela virou o rosto bem para onde eu estava e me encarou. Tenho absoluta certeza que a Manú sabe perfeitamente do seu poder de sedução. O que vi em seu rosto, quando ela me encarou, é que ela estava radiante e com um sorriso delicioso, que não conseguia ser escondido. A lembrança da noite anterior me veio à tona e eu gelei na hora. Fiquei constrangido, magoado e tentei aparentar calma. Eu não acreditava em como ela estava mexendo com o meu psicológico.
Logo ela voltou a olhar para o noivo e seguiu para o altar. Não pude deixar de me lembrar quando a vi pessoalmente pela primeira vez, dias atrás, no aeroporto. Naquele dia, vendo a Manú, de tamanquinho e com o seu corpo praticamente dançando dentro aquele vestidinho soltinho, foi umas das cenas mais eróticas que eu já tinha visto.
Aquele casamento foi um dos piores momentos da minha vida. Eu estava incomodado e puto comigo mesmo. Toda vez que eu olhava para a platéia dava de encontro com a Renate me olhando, com cara de poucos amigos e a Fernanda cochichando alegremente com a mãe do Fabrício. Ao meu lado a Renata estava com um sorriso estampado no rosto, como se nada estivesse acontecido na noite anterior.
Na realidade acho que todos estavam felizes, com exceção de mim, da Renate e da noiva, que não estava sorridente como nos outros dias. Na hora dos votos, quando o padre pediu para a Manú dizer as palavras e ela foi repetindo: “— Eu Fernanda recebo a ti, Fábio, como meu legítimo esposo, prometo ser fiel, amar-te e respeitar-te, na alegria e na tristeza...” nessa hora eu quase dou um grito pedindo para acabarem com aquele teatro.
O fora a minha agonia, casamento transcorreu sem nenhum problema. Na hora da troca das alianças a Gabizinha entrou de daminha, com um vestido parecido com o da Manú e junto com ela entrou um garotinho como pajem. Assim que ela entregou as alianças ela já correu para o meu lado, agarrou na minha perna com uma das mãos e deu a outra mão para a Fabíola. Nessa hora a Manú nos deu uma encarada e dessa vez ela sorriu. Só aquela garotinha para me fazer sorrir naquele que foi um dos momentos mais tristes da minha vida.
Da igreja fomos para o clube. Quando cheguei lá, da porta do salão já vi os noivos tirando fotos no meio do salão e a Fernanda se apressou em se separar de mim e ir se sentar juntos aos pais do Fabrício. Desde a época de Criciúma o desembargador levava uma garrafa de Whisky Buchanan's para qualquer evento que ia e ficava bebericando. A garrafa era da mesma marca que ele estava no ensaio para o casamento, na noite anterior. Dessa vez não foi diferente e de longe eu pude vê-lo se servindo da garrafa verde com a tampa verde.
Fiquei na entrada e não tive coragem de entrar no salão. Da porta eu via os noivos no meio do salão. Era impressionante como a noiva tinha presença. As pessoas não conseguiam tirar os olhos dela e uma vez cativadas e atraídas, essas pessoas ficavam impressionadas pela simpatia, pelo bom humor e pela inteligência dela.
Sentei em um dos cantos, do lado de fora do salão, peguei no meu bolso uma embalagem plástica com mini pastilhas de menta e botei algumas na boca.
Fiquei ali ruminando o meu ódio pela Manú. Aquela menina estava querendo sabotar a minha vida e as minhas amizades. Eu estava certo que ela fez tudo aquilo de caso pensado. Estava com ódio daquela menina riquinha, com suas roupas de grife, seus sapatos caros e que tinha tudo nas mãos, que ganhou a festa de casamento, carro, apartamento e tudo mais, enquanto o que eu mais valorizava nessa vida eram as amizades. E eu nunca tive nada de “mãos beijadas”, e sim construí toda a minha vida a partir do zero. Nunca tive parentes ricos para me ajudar, não tive herança, nunca recebi favores ou qualquer outra ajuda. Tive sim muita luta, suor e foco. Agora, ela tinha armado tudo para me afastar do meu melhor amigo, eu caí como um patinho no plano dela e o Fábio nem queria mais olhar na minha cara. Provavelmente eu só fui somente mais uma transa fácil para ela, só mais um dos muitos chifres que iria colocar na cabeça do meu amigo dalí para frente. Ela sempre teve tudo de bom que o dinheiro podia comprar, certamente conhecia muitas pessoas influentes, estudou nas melhores escolas, fazia viagens para lugares lindos e paradisíacos e não faltariam homens para ela levar para a cama. Já eu, não era ninguém... Como fui tão burro...
Saí dos meus pensamentos quando vi a mãe da Manú ao meu lado. E a Renate foi logo falando:
— Quem é você Beto? E o que você quer?
Pelo tom que ela falou eu já olhei para ela a contragosto e sem entender o que ela queria. E ela continuou falando:
— Eu conheço o meu marido há mais de 30 anos e nunca vi o Arthur gostar tanto de uma pessoa e em tão pouco tempo, do que ele gosta de você. Vejo o nome Beto sair da boca dele umas cinco ou seis vezes por dia. E os meus sogros até te levaram para almoçar com eles! Que coisa né! O que você deseja para os noivos nesse casamento?
Nessa hora eu olhei bem para a cara dela e pelas suas expressões ela estava meio invocada, tinha uma pontinha de ironia em sua pergunta e alguma coisa me disse que ela também sabia do meu envolvimento com a Manú na noite anterior. E fiquei chocado com a petulância da menina em contar aquilo para a mãe. E essa pergunta que ela me fez eu queria responder:
Dei uma risada baixa e amarga e tive que contar até dez mentalmente, enquanto a Renate apenas me olhava impassível, antes que eu começasse a falar:
— Eu amo a Fábio da mesma forma que amo o meu irmão. E a Manú me ajudou muito em um dos momentos mais difíceis da minha vida... não sei se ela tinha alguma outra intenção em me ajudar... mas o importante é que ajudou. E sinceramente eu desejo que eles sejam felizes. Só desejo coisas boas para o casal.
— Sua tristeza é contagiante! Aqui não é um velório, é um casamento! Fique alegre e curta a festa. E quanto tempo você pretende ficar aí nesse canto?
Eu olhei para a embalagem de pastilhas e respondi:
— Estou cansado de tudo! Você acha que estou me divertindo aqui? Acho que essas pastilhas ainda duram uns 20 minutos.
Ela me lançou um olhar fulminante continuou falando:
— Eu tenho certeza que a felicidade da Manú é ao lado do Fábio. E eu queria saber...
— Olha, dona Renate, você me desculpe, mas hoje eu não estou bem e dispenso os seus interrogatórios...
Quando ela abriu a boca para retrucar o que eu estava falando a Fabíola chegou apressada e chamou a mãe para tirar fotos com os noivos e elas se foram e eu fiquei olhando para ela, intrigado.
Na realidade as pastilhas duraram apenas uns 10 minutos. E resolvi ir embora. Só avisei para a Fernanda que não estava bem, pedi um carro de aplicativo e voltei para o hotel. Chorei muito naquela noite.
No dia seguinte nosso voo sairia ao meio dia. Era um daqueles voos “pinga-pinga”, que por sorte não tinha conexão, mas sairia de Belém e pousaria em São Luis, Fortaleza e Natal antes de chegar a Maceió. Já havíamos programado voltarmos nesse voo desde o começo, por causa das aulas da Fernanda e dos trabalhos que ela tinha que entregar. Saímos do hotel, fizemos o check-in no aeroporto e, passados alguns minutos acabamos nos encontrando com as últimas pessoas que eu desejaria ver ali. A Fernanda foi quem os viu primeiro e saiu correndo e gritando:
— Manú!.... Fábio!... vocês aqui!
Eu gelei na hora e fui devagarinho ao encontro deles. Ainda deu para ouvir a Manú contar que eles estavam no mesmo voo e que iriam passar a lua de mel em Fortaleza. Assim que cheguei mais perto o Fábio saiu, dizendo que iria comprar um cafezinho. A Manú ainda me lançou um olhar, deu um sorriso tímido, se despediu da Fernanda, dizendo que ligaria para ela ainda naquela semana, e foi atrás do marido. A Fernanda virou para mim e disse:
— O Fábio tá meio estranho!
Olhei bem nos olhos dela e respondi:
— Não é só ele que anda estranho ultimamente...
Fui me sentar e a Fernanda me acompanhou. Não sei se ela entendeu a indireta, e depois disso começou a querer conversar, falando algumas coisas da cidade e do que eu tinha perdido na festa do casamento. Eu fui bem monossilábico nas respostas. Estava bem chateado com tudo e a conversa que eu queria ter com a Fernanda seria quando chegarmos em casa.
Aproveitando que a Fernanda estava falando da viagem, confesso a vocês que gostei de Belém. Saí muito pouco, vi bastante pobreza, principalmente quando saí cortando a cidade com a Manú e quando fomos para a chácara, entretanto adorei as pessoas. No sul as pessoas são mais reservadas e fechadas e eu já tinha sentido essa mudança quando fomos morar em Maceió, onde as pessoas são bem mais alegres e receptivas, só que em Belém achei as pessoas muito mais acolhedoras e simpáticas. E não percebi isso só com a família da Manú, mas também na rua e nos lugares que fomos.
Ficamos na parte traseira da aeronave e os pombinhos ficaram no meio. Só que na escala em São Luis a Fernanda foi lá para frente e ficou conversando com os dois. A Manú, sob o pretexto de usar o toalete veio em minha direção. Parou ao meu lado, inclinou o corpo, para se aproximar mais e falou baixinho:
— Ontem eu não consegui falar com você. E isso foi bom, pois eu precisava de um tempo para pensar sobre o que aconteceu... processar tudo... Beto, o que tivemos foi especial...
Eu olhei para ela com os olhos em fúria e ela percebendo que eu não estava nenhum pouco contente, parou de falar e foi para o toalete e na volta nem olhou para mim.
Eles desembarcaram em Fortaleza e nós seguimos destino até Maceió. Chegamos à noitinha e no dia seguinte estava circulando nos grupos de trabalho que o Nunes estava com muita febre e possivelmente contaminado com o vírus Chinês.
Não obtive sucesso na tentativa de contato com o Nunes, e depois de ligar para muita gente descobri o hospital onde ele estava internado e fui para lá. No hospital descobri que na realidade ele estava com uma dengue sinistra. Fiz a visita e consegui conversar com o médico, que me disse que, devido ao outro vírus que estava circulando, ele poderia dar alta para o Nunes, com a condição de que alguém tratasse dele e que ele fosse toda manhã no hospital para fazer um exame de sangue. Como ele não tinha nenhum parente na cidade, eu disse que cuidaria dele e acabei levando o Nunes para casa. Fiquei cuidando dele e com o Marquinhos me ajudando e revezando comigo. Os dois aproveitaram e até me pediram ajuda com um projeto que eles estavam querendo botar em prática, do qual falarei para vocês mais adiante.
Os dias seguintes passaram rápido e na outra segunda-feira acabei embarcando novamente. Passados alguns dias eu recebi uma mensagem do Fábio, perguntando se eu estava em casa. Achei muito estranho, pois pensava que o Fábio passaria anos sem conversar comigo e respondi que estava embarcado e só voltaria no final do mês (dia 27).
No dia seguinte ele me ligou umas três vezes, porém como eu estava no meu turno, em um trabalho externo, só vi as ligações na manhã do dia seguinte. Tomei coragem, respirei fundo e preparei os ouvidos para ouvir qualquer merda e não revidar de maneira alguma, afinal o errado da história era eu. Então retornei a ligação. Ele foi seco, porém cortês e disse que precisava muito falar comigo pessoalmente e perguntou se eu poderia recebê-lo em Maceió. Ele não quis adiantar nada do assunto. E eu só fiz questão de que ele ficasse hospedado em minha casa. Enquanto falávamos, ele foi vendo as passagens e combinamos que ele chegaria em Maceió no dia 30 de abril e iria embora no dia dois de maio.
Juro que estranhei o sigilo com relação ao assunto que ele queria conversar, mas fiquei muito feliz porque finalmente teria a chance de, pelo menos tentar me explicar, se é que eu teria alguma explicação plausível. Eu já havia pensado muito naquilo e sabia que não tinha perdão, então eu queria ao menos contar a minha versão da história para ele.
Cogitei que ele poderia estar vindo para contar para a Fernanda que eu a traí com a Manú. E eu não me importava, pois talvez o preço para a reconciliação com meu melhor amigo fosse que a minha infidelidade fosse exposta pessoalmente. Como no dia do casamento do Fábio em que fui contar tudo para ele, eu não negaria nada e não reagiria ao que ele estivesse planejando. Eu não havia contado tudo para a Fernanda por não existir mais diálogo entre nós. Me arrependi de ter voltado com ela, pois a minha grande companheira já não existia mais. Só faltava ela me olhar nos olhos e dizer que não me amava mais.
Logo em seguida o Bidu me avisou que a Manú viria também e foi isso que tirou mais ainda o meu sossego. Quando contei para a Fernanda que eles iriam nos visitar e ela ficou empolgada em recebê-los.
No final do mês eu desembarquei e três dias depois eles chegaram. Chegaram à tardinha, pegamos eles no aeroporto e depois de instalados os levamos para um restaurante regional, o Cheiro da Terra. A Fernanda ainda convenceu o Fábio a tomarem umas bebidas com a cachaça regional e eles ficaram animadinhos. Eu e a Manú, que não bebemos, ficamos só nos sucos de graviola e de cajá (adoro os dois). A Manú estava simplesmente deliciosa, usando um vestido suplex tubinho, que revelava cada curva daquele corpo maravilhoso que ela tinha.
A Fernanda queria que eles experimentassem o caldo de sururu, que é uma das iguarias da culinária regional e que dizem que é afrodisíaco e, segundo o povo alagoano, duas porções desse prato fazem a pessoa “subir uma parede de azulejo, de costas, ensaboado e de salto alto”. Já três porções fazem a pessoa virar rei (ou rainha), pois você vai direto para o trono. Infelizmente estava em falta e comemos outra coisa.
Na nossa língua portuguesa existe a expressão popular “cheio de dedos”, que quer dizer que a pessoa está constrangida, envergonhada, acanhada ou embaraçada. E era assim que estávamos, com exceção da Fernanda, que já havia combinado de ir às compras com a Manú no dia seguinte. Ainda demos uma volta na orla da Pajuçara e as duas ficaram até tarde da noite conversando na sala e depois fomos dormir.
Saímos os quatro no sábado, fomos inicialmente ao Mercado do Artesanato e depois na Feirinha de Artesanato da Pajuçara. As duas queriam fazer compra e então chamei o Fábio para experimentar uma Quenga Doce. O Bidú e a Manú fizeram cara de assustados e a Fernanda riu e explicou que Quenga Doce era um doce tradicional da região, feito de coco desidratado e caramelizado.

Deixamos as duas no galpão em que a feira estava montada e fui com o Fábio para um dos quiosques do lado de fora. Essa foi a oportunidade de conversar com ele. Assim que nos sentamos ele não me deixou nem falar e já se adiantou:
— Betão, viemos aqui porque a Manú quer muito conversar contigo. Vê se consegue tirar a Fernanda de perto dela para vocês conversarem a sós. Eu posso até ajudar saindo com a Fernanda ou ficando com ela para vocês saírem... sei lá, vê o que é melhor.
Vi que ele tinha uma expressão indulgente, que me deixou mais tranquilo.
— Sobre o que ela quer falar comigo?
— Ela quer pedir desculpas e esclarecer alguma coisa. Eu podia até dizer o que é, só que ela é muito melhor com as palavras. Sério, converse com ela... E... amigo, sobre o que aconteceu com vocês antes do casamento... nossa... éééé... ela me contou tudo, logo de manhã, faltando poucas horas para o casamento. Disse que tinha transado com você dentro do carro na noite anterior, quando você foi deixá-la em casa. Ela me falou que você não teve culpa, que ela perdeu o controle, que tudo partiu dela e que nem se você fosse um gay assumido escaparia dela naquele dia. Falou que se eu não quisesse mais casar, que ela entenderia... Sabe, o pior é que eu acredito que você não teve culpa, poxa... você é meu melhor amigo e... a Manú... sei lá, você sentiu na pele o quanto aquela mulher é irresistível...
— Não foi isso Fábio! Eu nunca havia feito aquilo. Nunca havia estado com outra mulher depois da Fernanda e tive uma grande parcela da culpa. Tanto que fui no outro dia para te contar tudo, só que você já sabia. Até hoje eu estou mal... eu estava, e ainda estou me sentido o pior cafajeste desse mundo...
— Eu entendo. Na conversa que tivemos, ela contou e queria terminar tudo ali mesmo... Mas converse com ela... é melhor assim.
— E vocês estão bem?
— É sério Betão, a Manú vai te contar tudo.
Não falamos mais no assunto. Aquilo despertou a minha curiosidade. Eu conhecia muito bem o Fábio para saber que ele não iria me adiantar mais nada e tudo que eu imaginasse seria mera especulação. Tomamos uma água de coco e o Bidu ainda comeu uma casquinha de siri. E depois de uma meia hora as duas chegaram, cheias de sacolas. Deixamos tudo no apartamento e depois do almoço os levamos para conhecer a Praia de Ponta Verde, que fica a uns 100 metros de onde moramos.
A Manú foi com um daqueles maiôs bem comportados. E quando ela tirou a saída de banho revelou aquele espetáculo de mulher. Ela parou a praia, com aquele corpo escultural! Ela tinha o corpo de uma modelo de lingerie, sua presença era sensual e provocante e eu via todo mundo virando o rosto ou disfarçando, mas sempre olhando para ela. Eu imaginei os olhares se ela tivesse vindo de biquíni. Eu já sou acostumado com esse tipo de reação, pois a Fernanda é uma mulher que chama atenção pela beleza, pelo porte e até pelos traços europeus, só que a Manú atraia todos os olhares, sem exceção, por causa do seu corpo escultural e de sua beleza impar. E confesso a vocês, ver aquele rabo maravilhoso balançando na minha frente, enquanto ela andava, não era nada fácil. Ela tem um rebolado natural que é hipnotizante, sem mencionar que ela é toda linda: o rosto, os olhos, a boca, o narizinho arrebitado, o corpo todo sarado, o tom e a textura de pele. Eu fico de pau duro só de pensar nela. E ela já estava mais soltinha e confortável, já lançava aquele sorriso irresistível para o meu lado. A tentação era enorme e o que me ajudava era a raiva que eu ainda tinha dela.
Para mim é até difícil explicar, mas desde que a conheci eu tenho uma sensação de intimidade e um fascínio pela Manú. Não sei explicar nem mesmo essa tranquilidade que sinto quando estou perto dela.
A semana seguinte seria uma semana de provas para a Fernanda. Entre teóricas e práticas acho que ela teria 11 provas naquela semana. Mesmo assim, a muito custo convencemos a Fernanda a ficar estudando e levei os nossos visitantes para passar o seu último dia em Maceió, na praia do Francês, que é uma das minhas preferidas. Seria um passeio mais rápido, pois o voo de volta deles era às 18h.
Chegamos lá e a praia estava bem deserta, o mar calmo e as águas cristalinas. Tiramos fotos lindas e nos divertimos bastante. Até que uma determinada hora a Manú pediu para caminharmos para o lado direito da praia, que é um local de mar agitado e frequentado por surfistas. No caminho ela ainda nos contou que já havia feito aulas de surf e adorava pegar ondas. Andamos até uma hora em que os dois trocaram olhares de cumplicidade e o Fábio se afastou um pouco e fiquei sozinho com a Manú e fomos para debaixo de uns coqueiros. Era chegada a hora da tão aguardada conversa. Meu coração disparou. Sentei-me na areia, de frente para o mar e ela se sentou ao meu lado e, olhando para o mar ela começou:
— Não sei se o Fábio adiantou alguma coisa para você. Antes de qualquer coisa eu queria pedir desculpas. Eu não imaginei que terminaria daquele jeito. Nos últimos dias dei muitas explicações e eu já contei essa história umas dez vezes e nenhuma delas foi fácil para mim. Se tiver alguma pergunta pode interromper que eu explico, tá.
Ela então se virou para mim, me encarando com aqueles lindos olhos penetrantes. Dava para ver que a beleza vinha da combinação dos lindos olhos verdes com a sobrancelha grossa e escura. Eu simplesmente não conseguia encarar aquela mulher por mais de cinco segundos. A voz dela era melodiosa e firme e, apesar de claramente ela estar nervosa eu só sacudi a cabeça afirmativamente, como que dando autorização para ela continuar a sua história.
— Eu já havia morado longe da minha família, quando me formei na faculdade e fiz um intercâmbio de letras na Universidade Paris-sorbonne. Fiquei sete meses morando na Europa. E acho que já te contei que escolhi assumir o cargo naquele concurso da promotoria, pensando em somar pontos para a prova de títulos para o concurso de Procurador da República, que é o meu objetivo. Estou fazendo uma pós-graduação também pensando nisso... Dessa forma eu cheguei a Porto Velho em janeiro do ano passado e conheci o Bidu (ela olhou para mim e sorriu, pois era eu quem sempre chamou o Fábio de Bidu) no concurso de Juiz do Trabalho, que acabei desistindo da vaga e a deixando para ele, que era o próximo a ser chamado. Depois disso ele se mudou para Porto Velho e foi morar perto de onde eu morava, passamos a frequentar os mesmos lugares, fazíamos academia juntos, estávamos na mesma pós-graduação. Ficamos amigos e viramos até sócios em uma empresa. Ele virou meu parceirão e íamos para show, tocávamos bateria na casa de um amigo em comum e... eu estava carente e morrendo de saudade da minha família e de tudo que deixei em Belém. Daí acabou que, em setembro, no dia do meu aniversário, acabamos ficando.
O olhar triste dela e os olhos marejados me tiraram do transe. Realmente ela tinha o dom da palavra. Eu já tinha presenciado ela discursando no dia do churrasco e ela era incrível. Vou reforçar novamente que, desde quando ouvi Manú falar pela primeira vez, já me assustei, pois ela tinha uma voz linda, grave e encorpada, que não combinada com suas feições meigas.
— Olha Manú, se tá te machucando não precisa continuar.
— Não tem problema, é que eu gosto muito do Fábio e fico me martirizando por tudo que aconteceu e onde fomos parar. Bem, depois que ficamos, ficou tudo muito louco. Nós dois estávamos longe de casa, sozinhos, carentes e nos apoiamos um no outro. E nos três meses seguintes fomos tentando transformar nossa amizade em algo mais. Ele conheceu meus pais e eles gostaram dele. Minha mãe sempre quis que eu me casasse com um juiz, pode isso? Só que eu acho que, principalmente da minha parte, eu não via que tínhamos uma química para continuarmos com aquilo e eu já estava pensando em dar um tempo. Só que, antes disso, fomos no final de novembro a Belém, para o aniversário da minha mãe. E lá o Fábio me pediu em casamento na frente de todo mundo. Eu não acreditei naquilo, minha reação era a de dizer não, só que fui praticamente obrigada a aceitar. Daí minha mãe se empolgou e começou a organizar tudo e meu avô disse pagaria as despesas. Eu ia ser a primeira neta a casar... eu sei que quando me dei conta já estava presa em uma espiral e sem conseguir achar uma saída. Depois eu me acomodei e achei que, com a convivência acabaria dando para o Fábio o amor que ele merecia.
Ela limpou as lágrimas, sorriu e pegou na minha mão.
— Foi aí que eu te conheci! E gostei de você de graça. Conversava contigo e sempre tinha uma sensação de déjà-vu, como se eu já te conhecesse a minha vida inteira. Quando eu estava contigo tinha aquela sensação de voltar para casa. Eu cheguei até a sonhar com você, acredita?!
Ela apertou a minha mão e nos olhamos nos olhos e ela falou:
— Beto, acredite, eu não quero parecer piegas, mas naquela época você me ajudou muito mais do que eu posso ter te ajudado com os seus problemas com a Fernanda!
— Não Manú! Sem você me ajudando naquela época, era ainda estaria perdido.
— Eu conversei várias vezes com o Fábio, perguntando se ele tinha certeza sobre o casamento ou se queria deixar para depois, só que ele e minha mãe pareciam que estavam obcecados e eu não tive forças para contrariá-los. Eu me sentia atraída por você, porém o Fábio era tão bom, que não merecia nem que eu me imaginasse com você. E você ali solteiro, separado da Fernanda, só piorava ainda mais as coisas, pois me dava esperanças... e por isso eu fiz de tudo para unir vocês de novo, dessa forma era uma tentação a menos para mim. Eu apelei para os seus sentimentos, falei que vocês tinham uma história juntos, tentei melhorar a sua insegurança, aconselhei muito a Fernanda... sei lá, eu usei tudo que eu sabia sobre relacionamentos para você a perdoar.
Ela começou a chorar. A consolei por alguns momentos e ela tomou fôlego e continuou:
— Eu errei! Meses antes eu deveria ter falado para o Fábio que não poderia me casar com ele, que ele era uma pessoa maravilhosa, que eu nunca o traí, mas me apaixonei perdidamente por outra pessoa, uma pessoa que eu nunca havia me encontrado pessoalmente e que era praticamente inalcançável, por ser casado e ainda era o melhor amigo dele...
Dessa vez o soluço foi grande e ela teve que enxugar as lágrimas antes de prosseguir:
— Eu tô bem. Já está acabando. Naquela véspera de casamento, depois do ensaio me bateu um desespero, que eu queria sair gritando. E parece que estava escrito nas estrelas, pois alguém ouviu as minhas preces e te colocou bem ali. Tudo foi se encaixando. Ficamos só nós dois no carro... eu realmente queria um vatapá e depois o tacacá (ela riu) e quando eu percebi estávamos sozinhos, no meio do nada e passou na minha cabeça de só te dar uns beijos e depois contar para o Fábio, que iria se zangar, terminaria tudo, cada um seguiria a sua vida e eu lutaria para manter a amizade dele. E deu tudo errado! Quando eu te beijei, me veio um sentimento incontrolável e eu queria mais, e mais, e mais, e acabamos transando. Eu já sabia que estava apaixonada por você, estava lutando contra aquilo e quando fiquei nos seus braços foi maravilhoso. Eu queria ficar contigo para sempre. Depois contei para a minha mãe e para o Fábio e, mesmo assim, infelizmente eles quiseram continuar com o casamento.
Ela voltou a chorar, agora dava para ver as lágrimas escorrendo, mas ela continuou:
— Quando era novinha eu tive uma grande decepção com um namorado, que acabou me traumatizando e afastando dos outros meninos. Foi você quem me fazia esquecer tudo que aconteceu. E o pior foi que, quando estávamos lá no carro do papai, o ID assumiu totalmente o controle do meu aparelho psíquico e meus desejos e instintos primitivos tomaram conta de mim e parti para cima de você, buscando o prazer e ignorando as consequências. No meu plano maluco eu não pensei nos sentimento de ninguém e em toda a história de amizade do Fábio e de você. Eu simplesmente ignorei que aquilo teria consequências. E fiquei péssima em ver vocês daquele jeito.
— Como você teve coragem de me usar...
— Me desculpa... me desculpa mesmo. É por isso que eu estou aqui! Pelo seu perdão e para tentar acertar as coisas entre vocês dois. Eu prometo fazer de tudo para que vocês voltem a ser amigos... o Fábio te adora e eu sei que você sente o mesmo por ele.
Só não pressionei mais a Manú, pois ela estava com a expressão muito sentida, mesmo assim expressei o meu ressentimento:
— Não sei se um dia ele vai me perdoar... nem sei se eu me perdôo por aquilo.
— A certeza que eu tinha era que não amava o Fábio como homem e sim como amigo... e cada segundo que se passava eu tinha mais certeza que amava você. A culpa é só minha. Eu quero consertar as coisas. E tem mais! Depois do casamento eu conversei muito com o Fábio. Fomos para a lua de mel só para discutir a relação e em dois dias chegamos à conclusão que não somos um casal e sim ótimos amigos. Tanto é que tecnicamente nosso casamento nem se consumou.
Ela abriu um sorriso mínimo e bem tímido e continuou a falar:
— Como eu te falei, a nossa lua de mel, que seria de seis dias, durou apenas dois e convenci o Fábio a irmos de Fortaleza direto para Criciúma, onde eu fui conversar com a ex namorada dele, a Carol. Deu trabalho em convencê-la a me ouvir e acabei contando para ela essa mesma história que te contei. E nos dois dias seguintes conversei novamente com ela, para que os dois pelo menos fizessem a paz. E tenho muitas esperanças que ainda vou conseguir juntar aqueles dois. Ele só me contou da Carol pouco antes do casamento, pois se eu soubesse da existência dela eu nunca teria me envolvido com ele... Bem, depois fui para Belém e contei essa história para vários parentes e amigos... Só faltava você.
— É muita coisa para assimilar.
— Eu sei. Combinei com o Fábio e com os meus pais de que continuaremos como um casal, só de fachada, por uns seis meses e então entramos com o divórcio. Até lá viveremos como amigos... Você está bem com a Fernanda... não vou te incomodar mais e te juro que pela minha boca ela nunca vai saber o que ouve entre nós dois... Bem, é isso que eu tinha para te falar.
Eu estava impressionado com a história, digna de um filme de Hollywood, e preferi nem comentar nada. Voltamos para o apartamento e depois levei o agora “casal fake” para o aeroporto. E, o melhor foi que ganhei um abraço apertado do Fábio na despedida.
O restante da semana realmente foi de muitas provas para a Fernanda e acabei deixando ela em paz. No sábado teve a última prova dela. Domingo eu acordei cedo e fui dar uma corrida na praia. Quando voltei ela estava na cozinha tomando café. Fui para a cozinha e peguei uma garrafinha de água. Logo ouço um sininho, avisando que ela havia recebido uma mensagem no celular. Ela visualizou a mensagem, sorriu e então desligou a tela do celular. Tentei olhar nos olhos dela, mas não tive sucesso. Ela continuava me evitando e decidi que era a hora de confrontá-la:
— Por que é que você está me evitando?
Ela nem se mexeu e eu insisti:
— Se você se arrependeu de voltarmos é bom falar logo! Se o seu coroa rico voltou e você quiser ficar com ele fale logo e não fique me empatando.
O sorriso em seu lindo rosto se transformou em ódio e ela se levantou e foi para o quarto e eu ainda falei antes de ela se trancar lá:
— Você acha que vai conseguir manter este silêncio por muito tempo? Mais cedo ou mais tarde, vamos ter que conversar. Eu sempre disse a verdade para você. Já ele, para te comer, falava só o que você queria ouvir...
Não vi mais a fuça da Fernanda no domingo e nem na manhã da segunda-feira, pois ela ficou trancada o tempo todo no quarto. Eu acabei embarcando novamente na segunda-feira. O único fato marcante nos dias seguintes foi que recebi a notícia de que uma revista científica iria publicar o meu artigo sobre segurança de informações e criptografia de dados, o que me deixou empolgado.
Desembarquei novamente no meio do mês de maio, fui para casa de carona com um amigo e, entrando no apartamento dei de cara com a Fernanda, que me esperava nervosa na sala.
Ela não me deixou nem cumprimentá-la e já me disse: “— Olha Beto, não existe um jeito legal de falar isso. Então eu só vou falar: Eu quero o divórcio”.

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Comentários


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dali Comentou em 03/04/2025

Manú colocou os pingos nos i. Agora a Fernanda tá osso em. Mas espero que pelo menos vc de uma boa surra no coroa rico, kkkkkk

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obetao Comentou em 03/04/2025

Espera que o motivo da Fernanda querer o divórcio é surpreendente. E ainda vou falar sobre a Renate mais na frente (são as cenas dos próximos capítulos).

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logan30 Comentou em 03/04/2025

A história só melhora. Conto maravilhoso.

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angulsky Comentou em 03/04/2025

Fala sério! Eu odiei a Manú até o meio do conto, depois vc explicou tudo maravilhosamente. Parabéns! Isso explica parte do ódio da mãe dela pelo Beto. E a Fernanda nunca largou do coroa né. Tõ ansiosa pelo próximo conto




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Ficha do conto

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Nome do conto:
SERÁ QUE TUDO ESTÁ ESCRITO NAS ESTRELAS? Capítulo 36

Codigo do conto:
232449

Categoria:
Traição/Corno

Data da Publicação:
02/04/2025

Quant.de Votos:
8

Quant.de Fotos:
3