SERÁ QUE TUDO ESTÁ ESCRITO NAS ESTRELAS? Capítulo 29
Tudo começou em quando eu fui jantar, e sentei-me à mesa em que estava o Vlad, um engenheiro mecânico que normalmente não ficava no mesmo turno meu. E ele estava contando suas aventuras amorosas, falando do seu perfil em um aplicativo de encontros e depois falou que gostava mesmo era de uma rede social de relacionamento adulto, onde fazia todo tipo de relacionamento, como troca de casais, ménage e tudo mais. Ele falou que saia com várias putinhas casadas e que tudo para ele era só sexo casual. Era aquela conversa para contar vantagens. O que me chamou a atenção foi a marca d’água nas fotos que ele estava mostrando. Eu já tinha visto aquilo, só não me lembrava onde. Mais tarde, naquele mesmo dia me lembrei que as fotos da Morgana, que vi no computador do Dr. Anderson, tinham aquelas mesmas marcas, que consistiam no logotipo do site, seguido pelo nome do usuário. Fiquei curioso. Já tinha ficado interessado quando vi a quantidade de filmagens no computador dele, tanto que até dei uma hackeada nesse computador. Só que, na correria que minha vida estava nunca mais cheguei a acessar esses arquivos. Só que a possibilidade da futura Dra. Morgana fazer troca de casais ou ménage por aí me despertou a curiosidade. Antes de dormir resolvi matar a minha curiosidade. Entrei no site, fiz um cadastro rápido e, com o nome do usuário, não tive dificuldades em achar a conta da Morgana e de seu marido. Sim, eles se apresentavam como um casal. No perfil deles, com mais de 5000 amigos, umas 200 fotos e uns 10 vídeos (vídeos esses que só estavam disponíveis para assinantes), achei muitas fotos bem depravadas da coleguinha de faculdade da Fernanda. Agora sim eu teria argumentos bem mais fortes para proibir a minha esposa de ter contato com aquela mulher. No meio das fotos, uma delas me chamou a atenção, pois era bem visível a tatuagem em forma de dragão no braço do homem que claramente estava comendo o cuzinho da Morgana. Eu não tinha dúvidas que era o Dr. Anderson. Na descrição da foto tinha até um link para acessar o perfil dele nessa mesma rede social de sexo. Cliquei no link e fui para o perfil dele, que tinha mais de 3000 fotos e, para o meu desespero, as quatro últimas fotos eram dele transando com a Fernanda. Obviamente não apareciam os rostos, só que eu reconheceria o corpo da minha mulher em qualquer lugar. Tinha certeza que era ela! Em uma das fotos, tirada de cima para baixo, no quarto dele, ele escreveu o seguinte: “Fiquei uns dias afastado porque estava investindo nessa casadinha deliciosa. Ela foi uma das conquistas mais difíceis. Resistiu bastante e dizia que amava o marido, só que no final entrou na vara. E valeu a pena, pois a loirinha se mostrou um furacão na cama.” Depois tinham vários comentários de outros usuários, dizendo que ele era um herói, outro dizia que ele só comia as mais gostosas. Tinha outro até oferecendo a própria mulher para ele foder e dizendo que amaria assistir. Duas outras fotos também eram no quarto dele, porem outra delas, pelo abajur no fundo, dava para ver que tinha sido tirada no meu quarto. A filha da puta da Fernanda tinha dado para ele encima da nossa cama. Vocês nem imaginam o ódio que eu senti. Acho que só quem já descobriu uma traição para saber o que eu estava sentido naquela hora. É incrível como emocional afeta o nosso corpo. E ver aquelas fotos da mulher que eu amava e confiava. Que pensava em ter filhos e em envelhecer juntos, transando com outro homem me gerou um sentimento muito ruim, um raiva enorme, um mal estar, um vazio no estômago. Nunca passou pela minha cabeça que a Fernanda estivesse me traindo, pois nos dávamos maravilhosamente bem, éramos amorosos, carinhosos, companheiros e o sexo era ótimo. Nessas horas que vemos o quanto nossa cabeça é complexa. Depois de algum tempo, lendo sobre o assunto, percebi que nessa época acabei encarando todas as fases do luto: A primeira foi a negação, onde por uma defesa psíquica, eu negava a acreditar que aquilo tinha acontecido, pois foi muito inesperado e dolorido. Depois veio a segunda fase, que foi a raiva. Eu fiquei revoltado com a traição da Fernanda, me senti injustiçado, pois sempre fui um bom marido e não merecia aquilo. Pensava que se tivesse ficado mais atento aos seus desejos ou a alguns sinais que só agora, depois de muito tempo eu percebi. Sei lá, se tivesse avançado mais o sinal, sido mais ousado e fazer um sexo mais bruto, isso não teria acontecido. Depois veio a fase da negociação, na qual passei horas em claro imaginando soluções para aquilo. A próxima fase foi a depressão, que acredito que já tinha se manifestado desde o começo, mas que agora havia acentuado e estava quase insuportável. Eu sofri muito, fique recluso e me sentia impotente. Só que eu não podia me entregar, decidi que nunca aceitaria aquela traição. Eu não nasci para ser corno manso. No dia seguinte fui obrigado a trabalhar. Eu estava muito depressivo e todo mundo notou que aquela figura que estava lá não era eu. Eu era ativo, brincalhão e conversava com todo mundo. Tanto que muitos vieram perguntar se eu estava bem ou se tinha acontecido alguma coisa. Quando terminou meu turno foi pior ainda. Eu precisava urgentemente conversar com alguém. Eu não sou aquela pessoa que fica reclamando e falando da própria vida. Normalmente eu sou para quem a pessoa vem desabafar. Acho que eu passo a impressão que sou confiável, e também eu procuro ouvir o que me falam, dar meus conselhos e não julgar. Só que dessa vez eu que tinha que desabafar. Para isso a Nanda eu descartei logo de início, pois era capaz dela me deixar mais maluco ainda com suas idéias doidas. Decidi que só falaria com a Laura em último caso, pois ela estava toda enrolada, tentando recomeçar a vida. Com meu irmão nem pensar. Acho que nem tinha como começar esse tipo de conversa com ele. A Renata, antes de se casar, era minha grande amiga de conversas. Nossas resenhas duravam horas. Depois que se casou as conversas diminuíram, mas ela continuava sendo uma grande amiga e ainda era advogada. Eu poderia me informar com ela sobre o processo do divórcio, pois já tinha decidido que não ficaria mais casado com aquela piranha da Fernanda. Respirei fundo e fiz a ligação para a Renata. Não vou esmiuçar o que conversamos, pois a ligação durou mais de três horas e só paramos porque o telefone dela ficou os últimos 15 minutos apitando e dizendo que a bateria estava se esgotando. O resumo da conversa é que a vida da minha amiga não estava sendo nada fácil. Ela estava tendo muitos problemas com a sogra. Segundo ela, a sogra vivia se vitimizando e, há mais ou menos nove meses eles tinham se mudado para a casa dos sogros, pois o Fabrício sucumbiu às chantagens da mãe, para ficar mais perto dos pais e cuidar deles. A partir daí os problemas pioraram. Ela passou quase metade da conversa chorando e reclamando. Fiquei de ter uma conversa séria com o meu amigo pois, pelo que a Renata me contou, o casamento deles também estava com os dias contados. Ela também lamentou muito a minha situação. Perguntou várias vezes se eu realmente queria me divorciar. Falou que conversaria com amigos e conseguiria um bom advogado para mim. E me orientou em como proceder. Disse para não mandar a Fernanda embora de casa. Disse para que eu saísse de casa, mas registrasse um boletim de ocorrência, dizendo que o motivo foi a traição dela. Que isso seria usado em juízo. Falou também para que eu conseguisse o máximo de provas possíveis. Que essas provas seriam usadas caso a Fernanda criasse algum transtorno ou fosse contra o divórcio ou a divisão dos bens ou ainda se ela pedisse pensão. A conversa com a Renata retirou um peso das minhas costas. Eu precisava realmente compartilhar essas minhas frustrações. Pena ter descoberto que a situação dela não era muito mais confortável que a minha. Combinamos conversar novamente e que tentássemos nos ajudar. Agora eu precisava conseguir mais provas da traição. Eu tinha as quatro fotos, mas precisava de mais. Me lembrei do acesso que tinha feito no servidor de arquivos do Dr. Anderson. Liguei meu laptop. Eu estava trêmulo e meu coração disparado, pois a prova que eu acharia ali era daquele filho da puta fodendo a minha esposa. O dele estava guardado e antes de terminar essa história eu iria fazer uma operação plástica na cara daquele vagabundo. O problema foi que não consegui acesso ao computador. Na hora eu pensei: “descobriram o meu hackeamento”. Mas analisando os logs (são os arquivos gerados pelo software e que contêm as informações, as operações e as atividades que aconteceram) do meu sistema, vi que não tinha nenhuma tentativa de desfazer o hackeamento. O que tinha era que há dois dias o computador havia sido desligado ou retirado da internet. Eu teria que conseguir essas provas de uma outra forma. E havia um lugar que talvez eu conseguisse exatamente o que eu precisava. Normalmente eu desembarco por último. Fico até o final para passar pessoalmente todas as alterações e tudo o que aconteceu de diferente para a equipe que está assumindo. Só que dessa vez eu pedi para o Nunes e o Marquinhos fazerem isso e vim para o continente na primeira equipe de desembarque. Eles acharam estranho, mas não me questionaram sobre isso. Peguei um táxi e fui direto para a casa do Dr. Anderson. Minha fúria era imensa e nem imaginava o que iria fazer quando botasse as mãos naquele ser desprezível. Meu instinto era defender o que eu amava. Cheguei, toquei a campainha e já esmurrei o portão. Logo um senhorzinho, que era o jardineiro, veio atender o portão. Antes que ele pudesse falar alguma coisa eu já fui logo perguntando: — O Dr. Anderson está em casa? — Não moço. Ele nem tá mais morando aqui. Levaram a mudança na sexta-feira. Ele se mudou para o Canadá. — Ele foi a passeio ou volta logo? — Ele foi morar lá... Não acreditei naquilo. Agradeci ao senhor, chamei um carro de aplicativo e fui para o meu apartamento, que estava vazio, pois a Fernanda ainda estava em aula. Na mudança eu me recordava de ter derrubado uma caixinha de MDF e ela abriu com a queda, mesmo tendo sido fechada com chave. Dentro da caixa tinham quatro cadernos de capa dura e vi que se tratavam dos diários da Fernanda. Mesmo curioso não cheguei a ler. Coloquei os cadernos de volta na caixa e, como a caixinha era de um material bem frágil, entortando um pouco as laterais acabei fechando novamente. Procurei essa caixinha por todo o nosso quarto e não encontrei. Revirei a casa e acabei encontrando ela encima do guarda-roupas de um dos quartos de visita. Facilmente abri a caixinha e, foliando um dos diários encontrei as provas que eu procurava. Enquanto eu lia suas anotações, percebi que estava tremendo. O frio na barriga era insuportável e estava chegando até à garganta. Nessa hora meu telefone celular tocou. Era a Fernanda. — Beto, minha aula já acabou. Eu vou te buscar! Que horas você chega? Respondi o mais eco que eu consegui: — Não precisa. Já estou em casa! — Que maravilha! Chegou mais cedo hoje... então estou indo para casa... Desliguei o telefone sem falar mais nada. Cliquei no ícone do aplicativo da câmera fotográfica do aparelho celular e comecei a fotografar todas as páginas do diário dela, desde o dia da nossa chegada em Maceió até o final. Esse diário acabava em quatro de janeiro. Procurei o diário novo, que conteria os relatos posteriores ao dia quatro de janeiro, porém não o encontrei em lugar nenhum. Muito provavelmente o diário novo estaria com ela. Então peguei uma bolsa de viagens e coloquei algumas roupas, documentos e outros pertences dentro e a levei para a sala, deixando junto com a mala e a mochila que eu havia trazido do trabalho. Sentei-me no sofá e esperei a Fernanda chegar. Meu telefone não parava de tocar. Vi que era a terceira ligação seguida do Fábio. Ignorei a ligação e apenas coloquei o telefone no modo silencioso. No momento eu não tinha cabeça para falar com ninguém. Minha cabeça estava a mil. E assim que a Fernanda passou pela porta da sala eu já joguei tudo encima dela. Eu estava com a impressão das fotos em uma das mãos e o diário dela na outra. Vendo minha atitude, sua expressão foi de sorriso para espanto. E assim que ela pegou a impressão em suas mãos e viu o conteúdo das fotos, começou a chorar. — Puta que o pariu Fernanda! Como você pode fazer isso? Eu confiava em você, da mesma forma que confiava em mim mesmo! Desde que estamos juntos eu nunca sequer olhei para outra mulher... eu nunca faria nada para te machucar... e você fodeu com o cara na nossa cama... Em momento algum ela negou nada. Em meio às lágrimas a única coisa que ela disse foi: — Eu te amo – bem baixinho, quase pra dentro. Aquilo foi a gota d’água. — Que mulher que ama o marido faz isso? Sua puta! Você falou tanto da sua tia e olha o que você fez! Isso é muito pior do que ela fez. Pelo que eu vi ela nunca mentiu ou enganou o marido... Ela se sentou em uma poltrona e passou a chorar descontroladamente. Passei por ela e fui juntar minhas coisas. Ia embora de casa. Não sei para onde. Só não conseguia ficar mais ali. — Pá... pá... pra onde você vai? Minha resposta foi ríspida: — Para o mais longe possível de você... agora você vai poder curtir o seu coroa... vai poder foder com ele a vontade... até encima da nossa cama... Ela veio correndo para o meu lado e segurou na minha camisa. — Me desculpa... não... não vá embora... me desculpa... eu não sou nada sem você... Joguei o ombro para frente, me livrando dela. Peguei as chaves do carro e disse, enquanto saia de casa: — Para mim o que você fez foi imperdoável. A última visão que tive foi dela ajoelhada e chorando próximo à porta de entrada do apartamento. Eu não tinha sequer pensado em onde iria ficar, minha cabeça estava rodando. E o pior é que eu estava muito cansado. Me lembrei que uns colegas ficavam em eu hotelzinho mais em conta em Cruz da Almas, que até tinha desconto para o pessoal da empresa. Fui para lá e me hospedei. Entrei no quarto e meu telefone celular não parava de vibrar. Além de uma centena de mensagens, principalmente da Fernanda (pedindo perdão, falando que estava arrependida, dizendo que me amava e implorando para que eu voltasse), tinham três novas ligações não atendidas do Fábio, também já tinham umas 20 ligações da Fernanda e algumas até da Morgana. Só desliguei o aparelho, deitei na cama e dormi. Acordei com o coração disparado. Tive um sonho muito ruim. Nesse pesadelo eu entrava em casa junto com a Fernanda. Ela estava linda, trajando um vestido vermelho, curto, daqueles de baile e toda produzida, no cabelo, maquiagem e um batom de um vermelho muito marcante. Eu pego a Fernanda, coloco ela de costas para mim, apoiada na mesa da sala, arranco sua calcinha e meto meu cacete nela. Eu começo a meter e ela tenta se virar. Então eu, com uma das mãos a seguro, imobilizando-a pelos punhos, e com a outra mão seguro sua nuca e encosto sua cabeça na mesa. Nessa hora já não sou eu mais que estou fodendo a Fernanda, e sim o Dr. Anderson. Eu estou atrás deles, vendo essa cena. Nesse momento a Fernanda começa a gemer: — Me fode seu safado! Fode que tá gostoso. E ele metia com força, mostrando que sabia como dominar uma mulher. Dava para ouvir o barulho do choque entre os seus corpos. Então ele me olhou sorrindo, vitorioso e com um grito mostrou que havia gozado. Deixando um rio de esperma escorrer da xoxota da Fernanda. Que merda de sonho filho da puta eu tive. Pior que me veio à mente que, quando eu desembarquei, antes do reveilon, ela fez questão de transar sem camisinha. E se essa vagabunda estiver grávida. Que merda que ia dar. Resolvi que tinha que ler todo aquele diário, por mais que me doesse. Organizei aquelas fotos do diário, todas em um único documento e saí para imprimir. Quando retornei já eram umas 10h da manhã. Depois me sentei para ler. Peguei um marca texto e uma caneta para ir assinalando as traições dela e tentar entender como aquilo tudo tinha acontecido. Logo o telefone tocou, novamente. Dessa vez era um numero desconhecido. Não atendi. Fui nas configurações do aparelho e configurei para bloquear automaticamente todas as ligações de números desconhecidos. Ao terminar, larguei o aparelho e peguei novamente as folhas impressas com os manuscritos diários da Fernanda. Antes de terminar de ler a primeira folha o meu telefone voltou a tocar. Peguei o aparelho, já com a intenção de desligá-lo totalmente, quando vejo que a ligação é do Marquinhos. Pensei: “pronto, agora aquela vagabunda deve estar ligando para meus amigos e perguntando se sabem onde estou”. Atendi e logo ouço a voz alegre do outro lado da linha: — Fala Betão! Deu tudo certo na passagem do trabalho! Cara, estou com aqueles dois potes de doce que trouxe para você. Posso deixar aí na sua casa? É que vou viajar hoje à tarde e se não entregar hoje você só vai ver a cara desses doces daqui a duas semanas. Ele realmente já tinha me falado desses doces. O Marquinhos é mineiro, da cidade de Passa Quatro. Ele fazia muita propaganda desses doces e tinha trazido para mim na última vez que foi para a casa dos pais, só que tinha esquecido de levar da última vez que embarcamos. — Poxa, Marquinhos. Não precisa cara, eu pego contigo depois... — É que vou almoçar aí perto da sua casa, não tem problema nenhum... vai ser caminho. — Não cara... é que ontem eu tive uma briga feia com a Fernanda... acabei até saindo de casa. — Que chato isso, você e a Fernanda sempre se deram tão bem... posso ajudar em alguma coisa? — Não esquenta, meu amigo... — E você foi para onde? — Eu passei a noite num hotelzinho. — Porra Beto, você devia ter vindo aqui pra casa. Eu sei que você não bebe, mas pelo menos teria alguém para conversar... — Eu agradeço, Marquinhos, é que eu não estava muito afim de conversar sobre isso... — Há... eu entendo... pelo menos você poderia ter dormido aqui em casa. Tem um quarto vago... Inclusive eu me recuso a deixar que o meu amigão durma mais uma noite em um hotel. Diga onde está que eu passo aí para te pegar. — Não precisa, eu não quero incomodar... — Não vai ter incomodo nenhum. O apartamento ia ficar vazio e, ficando lá eu tenho alguém para regar minhas suculentas. E eu ainda te exploro, fazendo você me levar mais tarde ao aeroporto. — Não sei cara... — É sério Beto. Só não pode comer a minha nova vizinha de porta. E estou cevando a menina já tem uns dois meses e nada dela ceder. — Kkkk, só você mesmo. Você tá indo pra onde dessa vez? — Eu vou para Goiás, tô com um pacote para a Chapada dos Veadeiros... Mas não enrola. Diga onde está que eu te pego. — Não precisa, eu estou de carro. — Então vamos fazer o seguinte. Vamos almoçar juntos e de lá voltamos para o apartamento. Você se instala e me leva para o aeroporto... sério cara, pode ficar o tempo que quiser... se fizer as pazes amanhã com a patroa você já volta para casa, senão, pode ir ficando... sem problema. Pensei um pouco e acabei aceitando a proposta. Almoçamos num restaurante de comida típica nordestina, com direito a baião de dois, macaxeira frita, camarão frito, que acompanhavam uma deliciosa moqueca. Ainda pedi de sobremesa bolo de macaxeira e provei o doce cartola que o Marquinhos havia escolhido. Conversamos bastante, mas eu não toquei no assunto da minha saída de casa. Como combinado deixei ele no aeroporto e voltei para o apartamento do Marquinhos, que ficava a umas duas quadras da praia do Sobral, pertinho do estádio Rei Pelé. Tomei um banho e liguei o telefone celular. Vi que tinham mais duas ligações do Fábio, uma da minha mãe e outra do Zé Renato, o meu irmão. Agora sim eu tinha certeza que a Fernanda tinha ligado para eles. Minha mãe nunca me ligava. Retornei a ligação para a minha mãe e para o Zé Renato e falei da briga, que tinha saído de casa. Não entrei em detalhes, só disse que estava bem e que não queria falar com a Fernanda. Foram ligações rápidas, de no máximo 10 minutos cada. Dei uma olhada rápida nas mensagens. Tinham centenas da Fernanda, se desculpado, dizendo que estava preocupada e implorando para que eu voltasse. Só passei o olho e nem liguei para o que ela escreveu. No grupo que eu tinha junto com o Fábio e o Fabrício, havia uma mensagem enorme do Fabrício, falando que eu podia contar com ele no caso da traição da Fernanda. Eu fiquei puto na hora, pois certamente a Renata comentou com ele e, ao invés de me mandar uma mensagem no privado, o filho da puta colocou a mensagem no grupo. Tinham várias mensagens do Fábio e era por isso que ele estava me ligando. Liguei para o Fábio, que não atendeu. Desliguei quando ouvi a mensagem da caixa postal. Deixei o celular de lado e fui comer alguma coisa. Quando peguei novamente as folhas do diário para ler vejo que o Fábio está me ligando. Conversamos um pouco, mas não contei para ele nada mais do que estava escrito no texto do Fabrício. No final ele me aconselhou a conversar com a Fernanda, para fazer um aconselhamento de casal ou até procurarmos um psicólogo. Não quis discutir com ele e apenas assenti, sem qualquer convicção. Daí ele perguntou se a Manú poderia conversar comigo, pois ela tinha uns canais de aconselhamento para direitos de família, no qual ela falava sobre separação, partilha de bens, herança, filhos, etc. Eu disse que não precisava, mas ele insistiu, dizendo para que eu seguisse os conselhos dele, que não era só o meu melhor amigo. Falou que ele era meu irmão. Então ele desligou, dizendo que faria uma chamada de vídeo. Quando eu fui protestar, dizendo que uma ligação de vídeo é algo tão intimo e que sequer tinha sido apresentado para a noiva dele, ele já havia desligado e já havia aparecido uma mensagem no meu telefone celular, solicitando que eu aceitasse a chamada de vídeo. Atendo e vejo o rosto do Fábio. Aparentemente sentado em uma mesa. Falamos mais um pouco e logo surge a cabeça de uma linda morena ao lado dele. Ela sorri, me cumprimenta com um aceno de mão e ouço ela falar para o Fábio algo como: “— Vou só colocar uma camisa e já volto”. Ela fica atrás do Fábio e dá para ver parte do seu corpo, do tórax até a metade as coxas. Ela está de top, e não dá para ignorar a barriguinha sarada, que está aparecendo. Ela estava saindo e o Bidu a puxou pelo braço e falou: “— Betão, olha o “shape” da minha noiva! Ela tá só com 10% de taxa de gordura...” — e ouço ela cortando o meu amigo: “— Larga de bobo!” — Ela se livra dele e vai saindo. Só que o que mais me chamou a atenção, quando ela estava de lado ou quando ficou de costas e foi se afastando em direção à porta, que ficava nos fundos da imagem, foi a bunda maravilhosa que ela tinha e seus cabelos longos e lisos. A bunda da noiva do meu amigo era um espetáculo, parecia que tinha sido desenhada. Era redondinha e empinada. Fora o rebolado maravilhoso e sensual, que eu vi quando ela foi se afastando em direção à porta. Apesar de sensual o seu andar era elegante e magnético. E a bunda fazia parte de um conjunto maior e melhor, pois a Manú tinha a cintura fininha, quadris deliciosos e coxas grossas e bem torneadas. Poucos segundos depois ela voltou. O Fábio se despediu de mim e ela tomou o seu lugar, enfrente à câmera. Fiquei de frente com um dos rostos mais lindos que já vi em toda a minha vida. O que me chamou a atenção logo de início foram os olhos. Sem dúvida alguma os mais lindos que já vi. Os olhos eram enormes, de um tom de verde lindo e brilhavam como se fossem os olhos de uma gata. E o principal, os olhos dela davam uma sensação de compaixão e de interesse. Em seguida veio o sorriso, onde pude ver os dentes brancos e alinhados, que estavam escondidos por uma boca enorme, carnuda e sensual. Só saí do meu transe quando ouvi a sua voz linda, macia e calma: — Finalmente conheci o famoso Betão... O Fábio fala tanto em você, que sinto como se já te conhecesse. Respirei fundo antes de responder, pois estava com medo de gaguejar. — Olá Fernanda, muito prazer! — Pode me chamar de Manú. Todo mundo me chama de Manú. Fernanda é só nas ocasiões mais formais do trabalho ou quando vou levar um puxão de orelha da minha mãe. Até sorri pois, no conteúdo, é exatamente assim que falo quando me chamam de José Roberto. — Pena nos conhecermos nesse tipo de situação... mas o Fábio pediu para que eu te desse algum tipo de orientação sobre isso tudo... assim, eu não sou psicóloga, mas eu tenho uns canais para orientar as pessoas, com relação aos seus direitos, obrigações e alternativas, nos casos envolvendo família, divórcio, bens, filhos, herança e coisas relacionadas. Eu confesso que fiquei mudo ouvindo as suas explicações e ela me passou tanta confiança, me deu uma sensação de proximidade, de intimidade que, quando notei, já tinha contado grande parte da minha vida para ela, coisas até que não tinha contado para mais ninguém. Desde o fatídico dia que descobri a traição da Fernanda, foi o momento mais tranquilo que eu tive até aquele momento. Para não ficar babando pela Manú eu tentava me concentrar no pingente do “escudo de Davi”, que ela tinha preso em uma correntinha no pescoço. E ela me ouvia atentamente, e poucas vezes me interrompia para pedir algum esclarecimentos ou fazer alguma pergunta. Às vezes ficava séria e em outras sorria. E nisso as horas passaram. Quando a conversa chegou em duas horas eu achei por bem terminar. Agradeci por ela me ouvir, porém foi aí que ela começou a falar. Começou falando que as melhores histórias que o Fabio contava eu estava presente. Falou que o Fábio me adorava e que falava de mim com muito carinho. Falou mais algumas coisas e depois mudou de assunto, dizendo que tinha visto as fotos minhas e da Fernanda nas redes sociais, nas quais ela e a Fernanda estavam como amigas, e falou que formávamos um lindo casal. Comentou das consequências da separação e falou que muitos casais voltam depois. Que era para eu pensar nos erros que a Fernanda tinha cometido, me colocando no lugar dela, vendo sua experiência em relacionamentos e levando em consideração a idade dela. Enfim, ela falou muito. Dava para ver que a noiva do meu amigo, apesar de ter uma aparência linda, a sua real beleza estava no interior. E que além de linda ela era inteligente e tinha um celebro perspicaz, um bom humor e uma inteligência, que faziam dela uma das pessoas mais interessantes e legais que eu já havia conhecido. Parecia que ela estava intrigada por mim, já eu estava encantado pela menina. Tanto que esqueci totalmente dos meus problemas com a Fernanda. Além de linda e divertida a Manú tinha muito conteúdo e gostava das mesmas coisas que eu. Falamos de esportes, de cinema, séries de TV, livros e tudo mais. Quando olhei no relógio, já eram 23h17min e estávamos conversando a mais de três horas. Ela me tranquilizou, dizendo que lá era uma hora a menos do que no horário do restante do Brasil. E ainda ficamos conversando por mais uns vinte minutos antes de desligar. Parecia que queríamos contar toda a nossa vida um para o outro. Nesse tempo ela me passou os seus contatos, me adicionou nas suas redes sociais, me passou os seus canais de mídia, ficou de me indicar um advogado para me representar no divórcio e, finalmente, marcamos de conversar novamente no domingo ou quando eu precisasse desabafar novamente. Confesso que foi a melhor conversa da minha vida. Realmente aquela mulher tinha o dom de ouvir e orientar as pessoas. A simpatia dela me conquistou. Nunca tinha visto alguém tão confiável e amável. Era o tipo de menina que qualquer um iria se apaixonar. Eu estava muito mais leve e tranquilo. Decidi desligar totalmente o telefone celular por não iria dormir antes de ler todo o diário da Fernanda.
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